Confirmando sinais de desaquecimento do comércio varejista, o balanço prévio das vendas de Natal deste ano em Goiânia aponta crescimento médio de 5%, considerado o pior dos últimos cinco anos.

O fenômeno consolida uma desaceleração paulatina do setor nessa época do ano. Para se ter ideia, em 2010, o crescimento médio foi de 10%. Em 2011, 9% e ano passado, 7%. Os dados são do Sindicato do Comércio Varejista do Estado de Goiás (Sindilojas).

SEGMENTOS

A reportagem do POPULAR entrou em contato com diversos segmentos e a maioria registra um Natal com crescimento mais tímido, exceto alguns centro de compras. Para essa pisada no freio, alguns motivos macroeconômicos são responsáveis para o desempenho aquém do comércio: endividamento das famílias, restrição ao crédito e as altas taxas dos juros.

A última pesquisa divulgada pela Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio-GO) revela que 198 mil famílias goianienses devem começar o ano de 2014 com algum tipo de dívida para pagar. Na época, o presidente da Fecomércio, José Evaristo dos Santos, afirmou que esse índice é apropriado para esse período, em função das compras de fim de ano.

CAUSAS

Contudo, ao observar o cenário local, lojistas levantam outros possíveis motivos para que as vendas de Natal do comércio varejistas tenham apresentado queda: as chuvas abundantes na capital na segunda quinzena de dezembro (afetando principalmente o comércio de rua). “Este ano choveu muito no horário comercial, principalmente no período da tarde, quando temos maior fluxo de clientes. Já no ano passado, as chuvas caíram mais no período da manhã”, avalia o gerente de vendas de uma unidade da Flávio´s Calçados no Setor Central, Wellington Mendes. Ele explica que a expectativa de vendas era de 11%, mas que a unidade contabilizou algo em torno de 5%. “Este ano também abrimos outras duas lojas, o que pode ter diluído as vendas”, afirma.

José Carlos Palma, presidente do Sindilojas, lembra ainda que o quadro de funcionalismo público do município recebeu o pagamento salarial apenas no dia 24 de dezembro. “Como neste dia os bancos fecharam às 11 horas, isso pode ter contribuído para uma diminuição nas vendas.”

Ele explica que ontem fez uma avaliação prévia do desempenho do comércio varejistas. O levantamento apontou segmentos que tiveram crescimento mais robusto de 8%, enquanto alguns empataram e outros sofreram quedas nas vendas.

TELEFONIA

O diretor de compras das lojas Novo Mundo, Leidomar Azevedo, afirma que produtos de telefonia celular e tablets, por exemplo, apontaram crescimentos extraordinários, 60% e 40%, respectivamente. Mas nos produtos da linha branca, o incremento foi muito tímido. No geral, as vendas apontaram crescimento de 7%. “Ficou abaixo de nossa expectativa. Talvez seja o nosso menor crescimento nos últimos cinco anos”, avalia. O crescimento das vendas da rede em 2012 foi de 13% ante 2011.

O gerente de uma unidade da Rival Calçados no Centro, Júlio César Silva, compartilha da opinião. Ele afirma que as vendas da unidade empataram em relação ao mesmo período do ano passado. “O consumidor está pechinchando mais, parcelando mais, mas não deixou de comprar. O que está acontecendo é que aumentou o número de lojas abertas e dividiu a fatia do bolo”, avalia.

Leidomar Azevedo, da Novo Mundo, ressalta ainda que este ano houve muita antecipação de compras de eletroeletrônicos, em função do sucesso de vendas da Black Friday. “O mês de novembro nos surpreendeu, principalmente nos dois últimos dias. Vendemos na Black Friday o que costumamos vender em uma semana”, acrescenta.

SURPRESA

A sensação do diretor de compras é observada por muitos gerentes de lojas. Segundo a gerente da Flávios Calçados do Goiânia Shopping, Ana Paula da Silva, a primeira quinzena de dezembro surpreendeu até mesmo os vendedores. Porém, o mesmo não ocorreu na semana próxima ao Natal. “Nossa primeira quinzena foi a melhor do ano, mas a segunda fechamos com crescimento pequeno.”

A gerente da Dumond, Natália dos Reis, afirma que é difícil comparar as vendas de Natal deste ano com 2012, quando a unidade só tinha dois meses. “Tivemos uma venda boa, principalmente na primeira semana. Muita gente comprou antecipado.”

“Tivemos um crescimento pequeno”, afirma a gerente da Mr. Cat do Goiânia Shopping, Fátima Aparecida. Para ela, as vendas aqueceram na segunda quinzena e a expectativa agora é de que as promoções pós-Natal e de janeiro reacendam o espírito de compra dos goianienses.

Fonte: O Popular