O comércio vive dias de incerteza. O fraco desempenho das vendas nos primeiros meses do ano e até no Dia das Mães, que sempre foi um dos melhores períodos do ano para os lojistas, deixou uma herança ruim: muitas lojas estão com estoques acima da média para este período. Com isso, a estimativa é que a indústria receba menos pedidos para o Dia dos Namorados, que também se tornou uma grande dúvida em virtude da data coincidir com o primeiro jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo: 12 de junho.

Produtos como eletroeletrônicos, móveis, computadores e celulares, que precisam mais de crédito, estariam entre os mais afetados. Um estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que entre janeiro e março, o volume de vendas do comércio restrito, que não inclui carros e materiais de construção, cresceu 4,5% em relação ao 1º trimestre de 2013. Enquanto isso, os estoques nas lojas subiram 5,5%.

O diretor da rede Fujioka, Carlos Alberto Yoshida, informa que as indústrias já estão com estoques mais altos, depois de vendas abaixo do esperado no Dia das Mães. Segundo ele, a expectativa também era melhor em função da Copa do Mundo, mas os estoques continuam mais altos que no ano passado. Para ele, isso é reflexo do alto endividamento. “As vendas de imóveis e veículos comprometeram muito a renda das famílias este ano”, acredita.

PROMOÇÕES

Para desovar esses estoques mais rapidamente, a saída é fazer promoções e oferecer parcelamentos mais longos e sem juros. A linha de TVs, por exemplo, que era vendida em até seis vezes sem juros, agora pode ser parcelada em dez vezes.

“Mesmo assim, as vendas não reagem. Falta mais dinheiro circulando no mercado”, acredita Yoshida. Segundo ele, as vendas estão até melhores que na última Copa, mas a expectativa era bem maior em função do evento acontecer no Brasil.

O empresário Mihran Merzian, da rede Green House, conta que seu estoque está 1,5 vezes maior este ano, depois de um fraco desempenho no Dia das Mães. “O empresário investe e estoca, mas se as vendas não acontecem, precisa investir em promoções e até recorrer a bancos para honrar seus compromissos, como a folha de pagamento”, destaca.

Para Mihran, o momento atual é incomum, pois as empresas estão sem capital de giro porque as vendas não corresponderam. “Agora, a expectativa recai sobre o Dia dos Namorados, que tem presentes de mão dupla (a pessoa dá e recebe) e a Copa, com a venda de artigos como camisetas e bonés”.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista no Estado (Sindilojas), José Carlos Palma, teme que este contexto atual de estoques mais altos que o esperado para o período iniba os investimentos para o Dia dos Namorados, depois de um Dia das Mães e até Páscoa ruins.

“O lojista fica mais receoso, o que logo reflete na indústria. A pesquisa que mede o índice de confiança da indústria já reflete esse receio”. Mas, para ele, essa situação ainda pode ser revertida no Dia dos Namorados, que tem tido um desempenho crescente nos últimos anos, apesar de cair num dia de jogo da seleção brasileira.

Fonte: O Popular