Conforme a Celg, consumo de energia não cobrado em julho será dividido em duas vezes e faturado nos talões dos dois meses seguintes

O cliente da Celg que comemorou antecipadamente o valor mínimo cobrado na última fatura de energia pode preparar o bolso para os próximos meses. O gasto que deixou de ser cobrado em julho será dividido em duas vezes e faturado nos talões de agosto e setembro ou nos dois meses seguintes à taxa mínima. A consumidora Maria Neide Nunes de Almeida, 45, por exemplo, que gasta uma média de R$ 150 de energia mensalmente, pagará apenas R$ 20 no próximo boleto – diferença de R$ 130.

Entretanto, ela deve pagar a metade desse valor (R$ 65) em setembro e a outra metade em outubro. Somadas aos gastos já de costume, as duas próximas contas de Maria Neide devem ultrapassar os R$ 200. Desempregada há seis meses e impossibilitada de trabalhar por questões de saúde, ela diz que não sabe se terá condições de arcar com o custo acumulado.

“Eu já pago essa conta com muita dificuldade todo mês. Sem salário, não sei como vou quitar as próximas ainda mais altas”, reclama.

A medida adotada pela Celg tenta corrigir o recente problema de falta de leitura do consumo de energia em Goiânia. Devido à quebra do contrato com a Evoluti, prestadora de serviço que fazia a medição dos relógios, entrega de fatura, novas ligações e religações de clientes, os serviços estavam interrompidos. Há meses a empresa enfrentava dificuldades financeiras e atraso do pagamento de funcionários, até paralisar as atividades por completo em 20 de junho, deixando a Celg sem atendimento.

ATRASO

Sem equipe, houve atraso da entrega das faturas aos clientes de energia na capital e falta de leitura das unidades consumidoras. A alternativa da companhia energética foi emitir algumas contas com o valor médio de gastos do imóvel e outras com a taxa mínima.

Segundo o diretor de regulação da Celg Distribuição (Celg D), Elie Chidiac, o que deixou de ser cobrado dos clientes de Goiânia neste mês de julho devido à emissão da taxa mínima impactou a Celg em R$ 25 milhões, que serão reavidos nos próximos dois meses. “O erro que ocorreu não foi da Celg, mas da terceirizada. O que foi consumido pelos clientes deve ser pago, não podemos fazer benesses com uma empresa pública”, explica.

Ele destaca que todas as medidas estão de acordo com as regras previstas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Consultada pelo POPULAR, a Aneel confirmou que, em caso de impedimento da leitura por qualquer motivo, a companhia energética pode faturar o consumidor por uma média dos últimos 12 meses ou pelo período que for possível até a regularização do problema. Também pode reaver o valor não cobrado em faturas posteriores. A Aneel orienta que, caso o consumidor se sinta prejudicado, deve reclamar junto à Celg ou, se não for suficiente, procurar a agência reguladora pelo telefone 167.

Fonte: O Popular