O aumento na quantidade de funcionários em empresas que receberam recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) em Goiás foi 67% superior ao das demais firmas. A elevação de salários também foi maior nas empresas que tomaram empréstimos do FCO em 12%. Embora a criação de postos de trabalho seja um dos requisitos avaliados para a concessão dessa linha de financiamento, é a primeira vez que um levantamento (fornecido em primeira mão ao POPULAR) mostra, em números, o real impacto da utilização do fundo para o cenário de empregos.

O estudo é do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB), ligado à Secretaria Estadual de Gestão e Planejamento (Segplan), e analisa as informações registradas entre 2004 e 2011. Como leva em consideração os registros de empregos formais do Ministério do Trabalho (Relação Anual de Informações Sociais – Rais), a criação de vagas de trabalho e valorização de salários foram observadas apenas sobre os contratos empresariais. Também é neste setor que está a mão de obra mais qualificada (com curso superior).

“Pode ser que haja um impacto também na linha do FCO rural, mas, como é um setor que trabalha muito com vagas informais, não foi possível detectá-lo”, afirma o pesquisador do IMB Guilherme Resende Oliveira, que é doutorando em Economia. O estudo mostra ainda que, em oito anos, o valor de recursos concedidos por meio do FCO aumentou 160%. É mais do que o dobro do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo período.

O volume total de recursos do FCO contratados em 2011 no Estado somou mais de R$ 2 bilhões (no ano passado, esse valor já ultrapassava os R$ 2,23 bilhões). Segundo Guilherme, a significativa evolução do fundo do Centro-Oeste está ligada ao incremento no recolhimento do Imposto de Renda (IR) dos goianos, cujo montante mais do que dobrou entre 2004 e 2011. Vale lembrar que o FCO é composto de 3% do IR recolhido e outros 3% do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI).

Guilherme frisa ainda que o levantamento observou a correlação entre o FCO e o Índice de Desenvolvimento Humano nos Municípios (IDH-M), que leva em consideração as características locais de renda, saúde e educação. Foi constatado que, ao longo dos anos, entre 2004 e 2011, os recursos passaram a ser direcionados para os municípios com menor IDH, ou seja, que são menos desenvolvidos. “Isso é muito positivo, porque significa que o fundo está sendo distribuído para os municípios que mais necessitam. Quanto maior a distribuição do FCO, maior o crescimento do IDH-M”, destaca.

LUCROS

O especialista em linhas de financiamento Josiel Oliveira, que é presidente da Omega Projetos Financeiros, explica que o crescimento maior de salários nas empresas que recebem FCO é possível graças à relação direta entre a tomada do financiamento e a elevação do faturamento. Ele esclarece que os recursos são essenciais para a melhoria da competitividade e dos resultados das corporações.

“Tivemos um projeto do FCO aprovado para uma indústria de sementes, por exemplo, cujo lucro antes de receber a linha de financiamento era da ordem de 30% do seu faturamento total. Agora, com os recursos que estão sendo usados na compra de equipamentos, modernização da produção e melhoria de competitividade, seu lucro vai beirar os 40%. E isso vai refletir, posteriormente, na melhoria de salários da empresa”, destaca.

Fonte: O Popular