Secretário executivo do ministério diz que IPCA de fevereiro veio um pouco acima do esperado

O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, avaliou ontem que o IPCA de fevereiro veio um pouco acima do esperado, mas foi mais baixo em relação a janeiro. Segundo ele, a expectativa é de que a inflação vá caindo gradualmente ao longo do ano, principalmente quando começar a ser transmitida para a inflação a queda recente dos índices de preços das commodities.

Segundo ele, as commodities caíram fortemente este mês, mas o reflexo disso demora a ser sentido na ponta. Barbosa disse que ainda terá impacto positivo na inflação nos próximos meses a redução do custo da energia. De acordo com ele, em fevereiro, houve um primeiro impacto direto, mas ainda há um reflexo indireto, que é o impacto da redução dos custos das empresas, que tende a ser transmitido para os preços.

“Veio um pouco acima do esperado, mas a trajetória é de queda e vai caminhar para o centro da meta no prazo adequado. A inflação no Brasil está sob controle”, afirmou, ao deixar a sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Brasília.

Ao ser questionado sobre se o resultado da inflação em fevereiro poderia influenciar o calendário de anúncio de novas desonerações, ele respondeu: “As coisas são independentes”. Sobre a desoneração da cesta básica, o secretário disse que o governo ainda está avaliando e fechando cenários. “A decisão não está tomada. Vamos explicar quando tiver data definida”, disse.

Teto da meta

A inflação acumulada em 12 meses deve ultrapassar, em março, o teto da meta estabelecida pelo Banco Central (BC), na opinião do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa. O centro da meta definida pelo BC é de 4,5%, com intervalo de tolerância de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 0,60% em fevereiro, após registrar 0,86% em janeiro. A taxa acumulada em 12 meses passou em 6,31%.

“O avanço de fevereiro surpreendeu, foi maior do que esperávamos Como estimamos para março uma taxa de 0,47%, já neste mês (a inflação acumulada em 12 meses) deve ultrapassar o teto da meta, chegando a 6,59%.” Ele afirmou que o resultado verificado no segundo mês do ano mostra um quadro de inflação bastante preocupante. “A inflação não é pontual nem temporária: é consistente”, disse, lembrando que a alta dos preços está disseminada. Diante disso, o economista afirmou que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode elevar a taxa básica de juros (Selic) já na próxima reunião, em abril.

Fonte: O Hoje (GO)