Em 2013, o número de trabalhadores resgatados no Brasil em situação análoga à escravidão na área urbana superou pela primeira vez as ocorrências registradas na zona rural. O balanço da Comissão Pastoral da Terra (CPT) contabiliza 2.208 trabalhadores libertados no Brasil, sendo 56% nas cidades. A justificativa, de acordo com a entidade, pode estar relacionada ao boom imobiliário que o País experimenta nos últimos anos, já que grande parte dos casos de resgates está ligada à construção civil. Em Goiás, não foi diferente. Dos 109 trabalhadores resgatados no ano passado, 64% estavam atuando de maneira irregular na construção de um residencial de Itaberaí.

A Superintendência Regional de Trabalho e Emprego (SRTE), do Ministério do Trabalho, resgatou 109 trabalhadores no ano passado em Goiás.

Entre as principais irregularidades encontradas estavam empregados sem equipamentos de proteção individual (EPIs), alojamentos em condições precárias, falta de camas, colchões e roupas de camas. Também foram identificadas ausência de instalações sanitárias nas frentes de trabalho, falta de fornecimento de água potável e em condições não higiênicas. E, ainda, as jornadas de trabalho foram consideradas extenuantes, de até 18 horas por dia, sem folgas semanais.

Nos casos identificados em Goiás, 70 funcionários foram resgatados em uma operação realizada em agosto de 2013, em Itaberaí. Eles atuavam na obra de um residencial. Em outro caso, de janeiro do ano passado, 12 trabalhadores foram encontrados em situação degradante numa fazenda em Palmito. Em abril, 16 funcionários de uma fazenda também foram libertados após ação da SRTE. No final de setembro, outros 11 trabalhadores estavam em uma fazenda de Jaraguá. Eles atuavam na lavoura de tomate e não possuíam qualquer condição para o trabalho, desde equipamentos a alojamentos adequados.

De acordo com relatório da CPT, em 2013 cresceu o número de casos identificados como de trabalho escravo no País. Em 2012, foram registrados 189 casos. Este número se elevou para 197 casos no ano passado. Já em relação ao número de trabalhadores envolvidos houve decréscimo: 3.680 trabalhadores envolvidos, com resgate de 2.730, em 2012; 2.874 trabalhadores envolvidos e 2.208 libertados, em 2013. Dos 197 casos identificados em 2013, foram fiscalizados 175. E o coordenador da Pastoral da Terra, frei Xavier Plassat, afirma que os números preocupam. “Como a economia sofre um boom de construções, por conta de programas de governo e da Copa do Mundo, os prazos curtíssimos para entrega de obras podem levar a isso”.

Em anos anteriores, a Região Norte se destacava tanto pelo número de casos identificados quanto pelo de pessoas envolvidas. Mas, em 2013, a Região Sudeste foi a que apresentou o maior número de trabalhadores envolvidos: 1.186, com 1.147 resgatados. No Centro-Oeste, foram identificados 31 casos, com 309 resgatados. Já em relação ao número de trabalhadores envolvidos, a construção civil está em primeiro lugar, com 1.041 pessoas, tendo sido resgatadas 914. Dessas, 70 foram em Goiás.

Em segundo lugar está a exploração em lavouras diversas, com 602 trabalhadores envolvidos e 453 libertados; e, a seguir, vem a pecuária com 539 trabalhadores envolvidos e 266 libertados, aponta o relatório.

Fonte: O Hoje