Sorteios de carro, motos, eletrônicos e eletrodomésticos marcaram as comemorações em Goiânia

A redução da jornada de trabalho, de 44 para 40 horas semanais, sem prejuízo no salário, fim do fator previdenciário e da precarização e terceirização do trabalho. Essas foram as principais reivindicações dos trabalhadores goianos, ontem, durante a comemoração do Dia do Trabalho, promovida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), na Praça do Trabalhador.

No evento realizado pela Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), na Praça do Parque Amazônia, não houve ato político e o clima foi de festa. Em ambos locais, foram sorteados prêmios e o público pôde curtir shows artísticos.

Pela manhã, dezenas de pessoas foram atraídas pelas ações de cidadania promovidas pela Prefeitura Municipal de Goiânia e pelo Sesi. “Vim aqui para cortar o cabelo e me informar sobre cursos oferecidos pelo Sesi”, afirmou o mestre de obras Daniel Gomes. Também foi realizada a Corrida do Trabalhador, com participação de centenas de pessoas. A abertura da Copa Sesc e um passeio ciclístico também marcaram o 1º de Maio.

Reivindicações

Mas houve pessoas que participaram com o intuito de compartilhar das reivindicações dos movimentos sindicais. “Já conquistamos muitos direitos, mas ainda temos de correr atrás de salários melhores”, argumentou a cabeleireira Lúcia Braz. Há cinco anos, Lúcia é proprietária de um salão de beleza informal e luta para regularizá-lo para registrar seus funcionários. “Espero que consiga fazer isso em um futuro próximo”,diz.

O contabilista Vanderley Nunes lembra que os trabalhadores precisam abraçar a bandeira sindical e lutar para diminuir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas, sem prejuízos no salário. “Ganhamos muito no aumento de registro de número de carteiras assinadas no País, mas precisamos lutar também por um maior ganho real no salário mínimo.”

A presidente da CUT, Bia de Lima, diz que conscientizar os trabalhadores é crucial para o movimento. Para ela, não há conquistas sem reivindicações e os cutistas não abrem mão de atuar nas bases para fortalecer a conscientização de classe e unificar as bandeiras do campo e da cidade. “Uma de nossas missões este ano é diminuir a carga horária. Com isso, conseguiremos mais 2 milhões de postos de trabalho, mais tempo para o trabalhador se qualificar e permanecer com a família”, diz.

Para Bia, outro fator fundamental é o fim da precarização e terceirização do trabalho. A solução, diz, é a realização de concursos públicos em todas as esferas do governo para suprir a demanda de vagas.

“A CUT tem ainda outra campanha importante que é acabar com a contribuição sindical”, frisa. A ideia é conhecer a opinião dos trabalhadores por meio de um plebiscito. Bia entende que a contribuição obrigatória sindical é ultrapassada, pois os trabalhadores devem ser os responsáveis pela melhor forma de sustentação financeira do sindicato que os representam.

Após ouvir algumas das declarações dos líderes sindicais de Goiás, o público assistiu aos shows de artistas locais como Mr. Gyn, Pádua, Alba Franco, além da dupla sertaneja Milionário e José Rico. Houve sorteio de duas motos, eletroeletrônicos e letrodomésticos.

Na comemoração da NCST, realizada na Praça do Parque Amazônia, o clima era de festa. Enquanto balões infláveis chamavam a atenção para o local, recreadores distraíam as crianças em brinquedos espalhados na praça.

Colaboradores sindicais distribuíam em tendas instaladas no centro da praça, cupons que davam direito a concorrer a prêmios. As premiações composta por uma geladeira, duas motos e dois televisores de plasma estavam expostos em um caminhão estacionado ao lado do palco. O prêmio mais valioso, um Uno Mille zero-quilômetro, foi içado em um guindaste. “Avançamos muito em relação aos direitos conquistados pelo trabalhador. Acho que o dia é mesmo para comemorar”, avalia o administrador de empresas, Wagner José de Oliveira, enquanto preenchia alguns dos cupons que segurava.

No início da noite, a Banda Terminal Zero abriu a sequencia de shows. Nilton Pinto e Tom Carvalho, seguido pelo rapper Gabriel O Pensador finalizaram o evento.

Ambulantes

Enquanto alguns curtiam a música ambiente, brincavam ou ficavam atentos aos discursos políticos outros optaram por ganhar uma renda extra. Dezenas de ambulantes instalaram suas barracas e vendiam os produtos nos locais escolhidos para as comemorações do Dia do Trabalho.

Apesar da maioria ser do setor de alimentação, tinham ambulantes oferecendo brinquedos, balões e acessórios. O pipoqueiro, Milton Pereira estava animado com as vendas para uma terça-feira. “Geralmente não é um dia bom para vender. Esses eventos sempre rendem uma grana extra”, comemorou. Há 15 anos como ambulante, ele explica que é preciso ficar atento às aglomerações de pessoas para não ficar no prejuízo.

Fonte: O Popular