O custo de tomar um novo empréstimo aumentou no mês passado. A taxa média de juros cobrada do consumidor chegou a 44,2% ao ano, o maior patamar da série histórica, iniciada em março de 2011, informou ontem o Banco Central. Em outubro, os juros estavam em 44,0% ao ano.

O custo dos empréstimos aumentou em quase todos os meses deste ano. Como os bancos são livres para escolher a taxa oferecida aos clientes (por isso, esse segmento é chamado de “crédito livre”), muitos fatores influenciam em sua variação.

Há as despesas de administração e o quanto o banco deseja lucrar. Mas há também a influência do próprio governo, que estimula a alta por meio da Selic, a taxa básica de juros, para moderar o consumo e controlar a inflação.

A taxa média do cheque especial cobrada pelas instituições financeiras em novembro foi de 191,6% ao ano – nível maior só foi visto em abril de 1999, quando a economia doméstica tentava se equilibrar com a novidade do câmbio flutuante. Apenas nos últimos 12 meses, o aumento dos juros nessa modalidade de financiamento subiu 45,2 pontos porcentuais.

Desde março do ano passado, a Selic subiu 4,5 pontos porcentuais, de 7,25% para os atuais 11,75% ao ano. No mesmo período, a taxa média de juros oferecida pelos bancos ao consumidor aumentou 9,7 pontos porcentuais.

No mês, o estoque total de empréstimos foi novamente puxado pelo crédito direcionado, que compreende os financiamentos cujas taxas são reguladas pelo governo, como o agropecuário e os empréstimos do BNDES.

Segundo o BC, uma das explicações para o baixo crescimento nas linhas com recursos livres em novembro foi a entrada do 13º salário, que fez o consumidor quitar suas dívidas com cheque especial.

Em 12 meses, o estoque do crédito direcionado acumula alta de 25%. Já o saldo do crédito livre subiu apenas 4,7%.

Fonte: O Popular