Previsão é do ex-presidente do BC Gustavo Loyola, ao explicar que medo da volta dos protestos pelos governantes fará com que segurem aumentos

Ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria Integrada, Gustavo Loyola afirma que sua empresa retirou das previsões macroeconômicas qualquer possibilidade de aumento de tarifas públicas até as eleições de 2014. De acordo com Loyola, que participou do seminário Planejamento Internacional e Proteção de Ativos, promovido em São Paulo pela Westchester Financial Group, o medo da volta das manifestações de rua pela maior parte dos governantes vai levar à suspensão dos aumentos de tarifas. “Temos como clientes algumas concessionárias (de serviços públicos) e já dissemos para tirarem o cavalinho da chuva”, disse o ex-BC.

De acordo com ele, diante de declarações públicas da presidente da Petrobras, Graça Foster, no sentido de implementar a recuperação das finanças da estatal, a Tendências chegou a prever aumentos graduais dos combustíveis. Mas, afirmou Loyola, depois das ondas de protestos a consultoria passou a trabalhar com a perspectiva de que a Petrobras também vai ter que arcar com todo o peso da desvalorização cambial sem poder aumentar preços dos combustíveis.

Mudança

Loyola, acredita que “não adianta mudar ministros, mas sim a política econômica”. A afirmação foi feita ao ser indagado se acredita na possibilidade de a presidente Dilma Rousseff ceder às pressões do mercado e vir a substituir Guido Mantega no comando do Ministério da Fazenda.

De acordo com Loyola, quem manda na gestão econômica do Brasil é a presidente Dilma Rousseff, embora seja Mantega o anunciador de políticas de governo como a denominada “nova matriz macroeconômica”, que, segundo Loyola, consiste em “desonerações e contabilidade fiscal criativa, juros baixos e taxa cambial competitiva”.

Perguntado sobre quem seria um bom substituto para Mantega tendo em conta nomes já citados pelo mercado como o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o secretário do Tesouro, Arno Augustin e o empresário Jorge Gerdau, Loyola disse apenas que o nome do secretário do Tesouro seria uma “exacerbação” já que ele é alinhado com a atual política econômica e se mostra contrário ao mercado.

EUA

A melhora da economia dos Estados Unidos é que causou a reação dos mercados com valorização da moeda norte-americana e a realocação de ativos rumo ao dólar, disse o ex-presidente do BC. No entanto, de acordo com ele, a despeito de a melhora da economia americana oferecer alguns riscos para as economias emergentes, essa melhora é positiva para o Brasil. “Não posso entender como a melhora da maior economia do mundo pode ser ruim para o Brasil”, disse o economista. 

Fonte: O Hoje (GO)