Enquanto a modificação no sistema de cobrança no estacionamento do shopping Flamboyant causa polêmica entre consumidores e internautas, O POPULAR apurou que outros três centros de compras também fizeram, recentemente, reajustes de preços nas vagas para carros. Araguaia, Buriti e Goiânia aumentaram, cada um, R$ 0,50 no valor do período inicial de permanência no local (de duas horas, nos dois primeiros locais, e de três horas, no último).

O acréscimo nos três casos representou uma alta de 11,1% a 14,3%. Por isso, não impactou a opinião pública como o caso do Flamboyant. Assim como os outros, este shopping tinha um preço único para o período de até três horas, no valor de R$ 4,50 por automóvel. Agora, que passou a calcular o valor por minuto, cobra pelas mesmas três horas, R$ 8,40 (86,6% a mais). Mas, em contrapartida, quem permanecer menos tempo pagará proporcionalmente ao período utilizado.

Com a modificação, o Flamboyant passa a ter o menor preço na primeira hora de estacionamento, juntamente com os shoppings Cidade Jardim e Banana, de R$ 3,00. Entretanto, da segunda hora em diante, supera todos os demais estabelecimentos nos valores cobrados por uma de suas vagas (veja comparação no quadro).

Além dos shoppings já citados, Buena Vista, Bougainville e Banana também estudam reajustes para os próximos meses, mas, ao menos por agora, não pretendem seguir o mesmo caminho de cálculo por minuto. A reportagem procurou a assessoria de imprensa do Flamboyant, mas os diretores preferiram não se manifestar.

QUEDAS DE VENDAS

Alguns lojistas do Flamboyant já reclamam de uma queda significativa nas vendas neste fim de semana e acreditam que a causa tenha sido a modificação na cobrança pelo estacionamento (que está valendo desde o dia 1º de janeiro). Segundo empresários, os clientes estariam promovendo uma represália ao centro de compras para protestar contra os novos valores praticados.

Internautas chegaram a criar páginas no Facebook com chamamentos para um boicote ao shopping – numa delas, mais de 2 mil pessoas confirmaram a participação. Até agora, a situação mais crítica de fluxo de compradores foi no sábado, afirma o gerente da loja de moda masculina Brooksfield, Reginaldo Ribeiro.

Segundo ele, o faturamento naquele dia da semana, que normalmente costuma ser em torno de R$ 60 mil, caiu para menos da metade (R$ 29 mil). No domingo e ontem, o movimento melhorou, mas não voltou à normalidade, acrescenta. Apesar disso, Reginaldo não acredita que haverá um prejuízo a longo prazo para as vendas. “Acho que depois de alguns dias, a polêmica acaba e tudo volta ao normal”, frisa.

Já a gerente de uma loja de calçados femininos, que não quis ser identificada e que também sentiu redução nas vendas neste final de semana, teme que a situação afaste os consumidores para a concorrência. “Se for só o meu shopping cobrando dessa maneira, com certeza, vou perder clientes para os outros (centros de compras)”, diz.

E os concorrentes já estão de olho nessa possibilidade. Segundo o gerente de marketing do Bougainville, Elton Luiz Paixão dos Anjos, o shopping não tem os preços de estacionamento reajustados há dois anos e a estratégia agora é, justamente, conquistar o cliente que se afastar do Flamboyant. “Temos um mix de lojas muito parecido com o deles e, por isso, podemos atrair estes consumidores”, destaca.

O presidente dos lojistas do Flamboyant, José Carlos Palma, discorda que a redução do movimento de consumidores no final de semana tenha sido provocado pela alteração na cobrança de estacionamento. “Estive observando na saída do shopping e não vi reclamações. Aliás, muitos que ficaram menos de duas horas até se surpreendiam quando recebiam troco na hora do pagamento”, comenta Palma.

Ele afirma que a média de permanência no shopping é de uma hora (R$ 3,00) até uma hora e meia (R$ 4,50). “Quem permanecer entre duas e três horas é que vai sentir a maior diferença.”

Fonte: O Popular