Plano de demissões foi em julho, mas ainda é citado em carta da empresa. Trabalhadores do MVA entram em licença remunerada nesta segunda

Após encerrar um Programa de Demissões Voluntárias (PDV) de nove dias em julho, a General Motors manteve sob sigilo o número de adesões na planta de São José dos Campos e anunciou um período de férias coletivas aos 750 trabalhadores do MVA que voltariam nesta segunda-feira (5), mas antes do retorno dos operários a montadora anunciou um período de licença remunerada. A medida vai até o dia 23 de agosto e os trabalhadores afastados vão receber os salários integrais. O assunto foi discutido durante assembleia sobre a campanha salarial realizada neste sábado (3) na sede do sindicato.

Os trabalhadores temem pelas demissões, pois no telegrama enviado pela montadora avisando o período de licença remunerada, o PDV continua sendo citado, mesmo após ter sido fechado no dia 19 de julho. “Mais da metade dele [telegrama] está falando sobre PDV. A visão dos companheiros, está todo mundo apreensivo com o que vai acontecer. Ninguém sabe se a pessoa vai continuar lá ou se vai ser mandada embora, só Deus sabe as coisas lá. Ninguém sabe mais nada”, contou o montador José Lázaro.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Antônio Ferreira de Barros, a única hipótese em que pode ocorrer as demissões é por meio do PDV, mas existe um acordo firmado entre a GM e o sindicato para manter a produção do Classic em São José até o final do ano. A categoria não concorda com as medidas tomadas pela empresa nas últimas semanas.

“O Sindicato sabe que não há argumentos para que a empresa continue com as pessoas em licença remunerada até o dia 25 de agosto. Não há queda de venda de veículos na General Motors, muito pelo contrário, a montadora que mais cresceu em vendas nesse ano foi a General Motors, inclusive, consolidou-se agora na segunda posição de mercado. O sindicato entende que essa medida é para pressionar os trabalhadores a aderirem no PDV”, afirmou.

Quando anunciou a licença remunerada, a montadora disse que a medida tem como objetivo adequar a demanda de produção ao mercado. O Classic é fabricado também nas unidades de São Caetano do Sul e Rosário, na Argentina. As demais fábricas do complexo em São José, que empregam cerca de 6 mil operários, vão continuar a operar normalmente.

Impasse

O MVA foi alvo de um impasse que durou quase um ano entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a empresa. A GM informou em julho de 2012 a intenção de fechar o setor e, após uma série de reuniões entre sindicato e empresa, foram demitidos quase 600 funcionários em março deste ano. Foi feito um acordo para que a produção fosse mantida até dezembro.

A unidade da GM em São José disputa com fábricas de outros dois países a preferência pelo investimento de R$ 2,5 bilhões com a implantação de uma nova linha de produção de veículos. Inicialmente, a previsão era que a decisão fosse anunciada no último mês. A montadora não fixou um novo prazo para o anúncio.

Se escolhida, a montadora poderá gerar 2.500 empregos na cidade em 2017 – data prevista para o início da produção do novo modelo, que seria um compacto com grande volume de produção.

Campanha salarial

A assembleia dos metalúrgicos de São José dos Campos e Região aprovou a pauta de reivindicações da campanha salarial 2013. A categoria quer reajuste de 13,5% (inflação pelo INPC mais 6,46% de aumento real).

Também estão na pauta o piso salarial do Dieese, atualmente em R$ 2.860,  a redução da jornada de trabalho sem redução de salário, direito à eleição de delegados sindicais e comissão de fábrica e que a limpeza dos uniformes passe a ser de responsabilidade das próprias empresas, e não dos funcionários.

Outro lado

A GM foi procurada, mas informou que não vai comentar sobre a campanha salarial dos metalúrgicos e nem sobre as declarações do sindicato.

Fonte: G1