Centrais sindicais promovem dia 1º, das 13h às 17h, no Teatro Cacilda Becker, em São Bernardo, primeira atividade para relembrar os 50 anos do golpe militar. O evento pretende rememorar histórias de sindicalistas presos, torturados e mortos durante a ditadura militar (1964-1985).

O ato, intitulado Unidos, Jamais Vencidos, também acolherá homenagem a trabalhadores e familiares de vítimas do regime, com distribuição de “diploma de reconhecimento por sua luta, assinado por todas as centrais sindicais, louvando seus esforços, dedicação e sacrifícios em defesa da liberdade e da luta dos trabalhadores”, informaram idealizadores do movimento.

“A intenção é divulgar o que ocorreu no período (em que militares comandaram o País), principalmente para as novas gerações”, afirmou Augusto Portugal, ex-sindicalista e representante da AMA-A/ABC (Associação de Metalúrgicos Anistiados do ABC) no Grupo de Trabalho ‘Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e o Movimento Sindical, da Comissão Nacional da Verdade. Além de Augusto Portugal, o ex-deputado Djalma Bom estará à frente da atividade no Centro de São Bernardo.

O evento do dia 1º terá caráter oficial na Comissão Nacional da Verdade, pois depoimentos lá colhidos integrarão lista de testemunhos já feitos ao comitê que apura violação de direitos durante o período da ditadura militar. O trabalho da comissão foi prorrogado até dezembro.

Augusto Portugal ressaltou que trabalhadores tiveram papel fundamental no processo de redemocratização do Brasil, lutando contra dispositivos que limitavam atuações sindicais, como o decreto 4.330, conhecido como Lei Antigreve, aplicada em 1964, no início do regime.

“Agora, passados 50 anos desde o golpe militar de 1964, a sociedade brasileira vem se esforçando em divulgar as atrocidades que a ditadura cometeu contra o povo brasileiro e, especialmente, contra os trabalhadores. E busca reconhecer quem lutou pela liberdade, democracia, anistia, melhores condições de trabalho, salários mais dignos,autonomia sindical e, apesar da repressão policial, militar e empresarial, manteve a resistência e a luta por um Brasil com justiça social, democrático e soberano”, informaram os líderes do ato no dia 1º.

Fonte: Diário do Grande ABC