O movimento de redução de custos e busca de eficiência deverá ser a tônica das siderúrgicas instaladas no Brasil ao longo dos próximos trimestres, o que deverá ser refletido no desempenho das companhias. Embora os fundamentos da cadeia do aço continuem enfraquecidos, diante de uma grande ociosidade do setor, as siderúrgicas brasileiras deverão ver seus números seguirem em uma trajetória de ascensão, impulsionadas, principalmente, pelo mercado doméstico. Logo no início do ano, por exemplo, um ajuste na casa dos dois dígitos das usinas com as montadoras, terá reflexo direto no desempenho das companhias.

Os resultados do terceiro trimestre deste ano refletiram o processo de melhora de Gerdau, Usiminas e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que mostraram maior rentabilidade no período, trazendo alívio para as empresas, que passaram os últimos três anos com margens pressionadas e ganhos em declínio.

“Hoje existe um cenário de excesso de oferta de aço e as empresas estão direcionando esforços para reduzir custos. Essa deve ser uma tendência que deve continuar para o próximo ano”, disseram os analistas da Coinvalores Bruno Piagentini e Marco Aurélio Barbosa. Ainda segundo os profissionais, a perspectiva é de que a demanda seja ainda mais promissora no mercado interno, devido às obras de infraestrutura programadas. Assim, as concessões de infraestrutura devem proporcionar um crescimento de 4,4% nas vendas internas de aço no próximo ano, para 24 milhões de toneladas, de acordo com dados do Instituto Aço Brasil (IABr).

Os dados da cadeia de distribuição de aço ainda não estão fechados, mas o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, acredita que o crescimento das vendas da rede no próximo ano deverá alcançar 4%. O executivo destacou que 2013 acabou sendo um ano melhor do que o esperado e as vendas devem encerrar o ano com alta entre 4,5% e 5% em relação ao ano anterior. “Se o dólar se firmar entre R$ 2,30 e R$ 2,40 poderemos ainda tem alguma queda das importações”, disse.

Se de um lado o Brasil deverá absorver a produção, de outro o mercado externo ainda traz sinais de cautela. O principal motivo apontado por especialistas é a grande ociosidade da cadeia ao redor do mundo. A Associação Mundial do Aço (WSA, na sigla em inglês) estima que exista hoje uma ociosidade da indústria mundial do aço em 600 milhões de toneladas anuais. Por outro lado, o WSA estima que o consumo aparente global de aço vai avançar 3,3% em 2014.

Assim, a solução vem sendo encontrada no Brasil. No terceiro trimestre, por exemplo, a Usiminas manteve sua estratégia, fez um trabalho interno de redução de custos e despesas, e se focou ainda mais no mercado interno. No intervalo de julho a setembro a companhia voltou a apresentar lucro líquido, após seis trimestres consecutivos de prejuízos. No trimestre, o mercado interno respondeu por 92,9% das vendas da Usiminas, contra uma fatia de 90,9% no trimestre imediatamente anterior.

O presidente da empresa, Julián Eguren, disse após a divulgação dos dados trimestrais que as vendas internas ainda têm espaço para crescer, com o mercado doméstico ampliando a sua participação no volume total da siderúrgica. Eguren ressaltou que a empresa acredita que ainda pode ocupar no mercado o espaço das importações, o que deverá proporcionar à siderúrgica um maior volume de vendas domésticas para os próximos período.

Para a Gerdau, o desempenho de sua operação brasileira foi, de fato, o grande destaque. “Gostaríamos de ver as outras operações da Gerdau respondendo tão bem quanto a do Brasil”, disse o vice-presidente executivo de Finanças, Andre Pires de Oliveira Dias. A margem Ebitda da operação Brasil da Gerdau chegou a 24,6%. Nas operações da América do Norte a margem Ebitda no período foi de 3,7%. Um dos fatos que mais contribuiu para o desempenho positivo no período foi o ajuste de preços realizado pelas companhias no início do segundo semestre.

Gerdau, Usiminas e CSN promoveram aumentos de preços aos seus clientes logo no início do primeiro semestre do ano. Primeiramente os ajustes atingiram a cadeia da distribuição do aço, com um aumento médio de cerca de 6%, porcentual que variou dependendo do produto siderúrgico. Em seguida, as usinas aumentaram os preços para os clientes industriais. Agora, no fim do ano, as negociações chegaram às montadoras e sistemistas. Esse aumento passará a valer no início de 2014. Segundo fontes, o ajuste para as montadoras chegou aos dois dígitos, em torno de 12%.

Segundo analistas consultados pelo Broadcast, um novo aumento de preços para o primeiro semestre do próximo ano seria o ideal para recuperação das margens das companhias. O analista Rafael Weber, do Geração Futuro, disse que para 2014 poderá haver um novo reajuste, mas que se ocorrer será fruto de uma correção cambial. Dessa forma, segundo o analista, o prêmio, que é a diferença do preço do aço nacional em relação ao importado, deve se manter em torno de 5%, dependendo do produto. Uma diferença mais acentuada poderá ser o ensejo para nova entrada de aço importado no País. 

Fonte: Jornal a Cidade