O Brasil tem hoje uma das maiores taxas de juros oficiais do mundo, fato que causa indignação ao setor produtivo de todo o País. Ontem, no segundo dia de reunião, o Comitê de Política Monetária, a taxa Selic foi reajustada em 0,5 ponto percentual como era previsto por analistas econômicos. A taxa oficial de juros, que já estava em 10%, passou para 10,5%, fato que gera pessimismo em vários setores. Segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias Gráficas (Abrigraf), a alta dos juros aumenta a diferença competitiva frente aos demais países emergentes. A Abigraf sugere uma agenda de austeridade na política fiscal e redução de gastos públicos. Recomendação semelhante faz o presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), José Evaristo dos Santos.

Comércio

Evaristo explica que o aumento da Selic implica também nos juros de mercado aberto. “Qualquer aumento na Selic implica em deixar o Brasil campeoníssimo em juros real e faz elevar ainda mais a dívida interna do País”, diz. O presidente da Fecomércio reafirma que é preciso reformular a política econômica, e vencer a inflação, aumentando a produção e fazendo investimentos, ao contrário do que se faz reduzindo os juros. “Além da Selic, os juros do Fundo Constitucional do Centro-Oeste o (FCO) vão ser elevados, tal crédito é essencial para injetar recursos no setor de comércio e serviços”, ressalta. Ele destaca que este ano será de consumo mais retraído, moderação nos investimentos e na contratação dos funcionários por parte dos empresários.

Agropecuária

O analista de mercado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Pedro Arantes diz que esta não é uma situação conveniente para o País, uma vez que o governo brasileiro fez uma política de aposta no consumo e esqueceu o investimento. Ele que é mestre em Economia alerta que enquanto a política não for alterada e a prioridade não for investimentos em infraestrutura, na reforma tributária e na redução de despesas governamentais, os juros terão que subir. “O aumento dos juros é um tratamento de choque, mas não pode durar tanto como tem ocorrido. Além disso, essas altas na Selic no segmento agropecuário vão inibir as tomadas de investimento, no custeio até que não vão influir tanto”, explica.

Indústria

O economista da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Claudio Henrique de Oliveira, diz que a elevação não é uma decisão sábia. “Vão elevar o custo do capital tomado em empréstimo financiado, redução do crédito, inibição dos investimentos, além de tudo prejudica o próprio governo federal que paga mais caro os juros dos títulos dos papeis que vende”, relata.

A presidente da Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás (Acieg), Heleniz Queiroz, diz que o aumento dos juros nunca é uma boa notícia para economia e nem o setor de comércio e serviços. Ela explica que esta não é a primeira vez que o Brasil fica exposto a essa política de juros altos e o resultado é a redução do ritmo da economia como um todo.”O governo tinha alternativa de reduzir os gastos públicos e aumentar os investimentos, mas sempre opta pela solução mais fácil que é elevar os juros e a arrecadação”, completa.

Queiroz prevê que, com a Selic em 10,5% os produtos tendem a ficar mais caros.

Fonte: O Hoje