O setor metalúrgico aumentou o número de postos de trabalho no ano passado e aposta agora em mercados latino-americanos e árabes, mas as perspetivas para 2012 são negativas, disse à Lusa o vice-presidente da AIMMAP

“Em 2011, [o setor metalúrgico e metalomecânico] conseguiu continuar a aumentar as exportações, foi responsável por um terço das exportações da indústria transformadora portuguesa, cerca de 12 mil milhões de euros e, inclusivamente, foi criador de emprego. Neste contexto de desemprego, no setor houve um crescimento de quatro por cento de emprego”, afirmou o vice-presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), Rafael Campos Pereira.

Este ano, segundo o dirigente associativo, “o emprego está-se a manter, as exportações continuam a aumentar, mas as perspetivas começam a ser muito mais negras em consequência dos constrangimentos gravíssimos” com que a economia nacional se confronta, ou seja, a dificuldade de acesso ao crédito e os aumentos dos custos de contexto, em particular.

“Neste momento há empresas que não são viáveis, há empresas excelentes que podem não sobreviver em consequência da dificuldade no acesso ao financiamento bancário”, lamentou Rafael Campos Pereira, alertando que as linhas de crédito anunciadas pelo Governo não são suficientes para auxiliar o setor empresarial.

Na opinião do vice-presidente da AIMMAP, “as linhas de crédito normalmente são rapidamente esgotadas pela consolidação do crédito já existente”.

O setor está agora a preparar uma sociedade conjunta entre Portugal e a Galiza para promover as exportações para o Médio Oriente, numa área que acompanha o ritmo internacional do resto da economia, com 85 por cento das exportações a serem enviadas para a União Europeia, apesar dos “sinais muito interessantes já no primeiro trimestre”, quando se sentiu um aumento de 50 por cento para mercados para lá da Europa, em particular América Latina e mundo árabe.

Colômbia, Brasil e Peru são, segundo Rafael Campos Pereira “apostas muito grandes” para a metalurgia nacional.

Fonte: RTP (PT)