A mulher goiana está cuidando mais do visual e do bem-estar. O número de clientes atendidas no salão de beleza La Femme cresceu entre 30% e 40% no ano passado. A proprietária Maria do Socorro Vieira conta que o público é cada vez mais diversificado, pois as mulheres de classe mais baixa estão frequentando o salão tanto quanto as de classe média, são clientes mais fieis e pechincham menos. “Elas estão trabalhando mais fora e a renda está melhor”, acredita. Algumas mulheres vão toda semana para fazer as unhas e o cabelo e algumas chegam a gastar R$ 700 mensais.

As famílias também estão usando mais os serviços de lavanderia, onde lavam roupas, tapetes, cortinas, lençóis e cobertores. Para a empresária Cleusa Maria Scano, proprietária da lavanderia Viva Cor, os clientes não têm mais tempo para fazer esses serviços em casa ou moram em apartamentos, onde é muito difícil lavar e secar algumas peças mais pesadas. “Além disso, ficou bem mais caro encontrar e pagar uma empregada doméstica”, completa Cleusa. Há alguns anos, seus serviços eram mais procurados pela classe alta. Hoje, quase todo mundo pode pagar uma lavanderia. Alguns chegam a gastar R$ 800 por mês.

EMPREGO

No ano passado, a receita nominal de serviços cresceu 10,3% em Goiás em relação a 2012, de acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada ontem pelo IBGE, bem acima da taxa média nacional, que ficou em 8,5%. O crescimento também foi maior que o registrado em 2012 no Estado: 8,7%.

As maiores taxas de crescimento em Goiás ocorreram no grupo “outro serviços”, que incluem atividades como imobiliárias, manutenção e reparação, serviços de esgoto e coleta de lixo, e no grupo de serviços prestados às famílias. Neste último grupo, estão serviços como alojamento e alimentação, com hotéis e restaurantes, salões de beleza, lavanderias e tinturarias, cursos de idiomas e atividades artísticas e culturais.

Para o chefe do IBGE em Goiás, Edson Roberto Vieira, o maior nível de emprego no Estado ajudou a impulsionar a procura pela prestação de vários serviços. “Com mais emprego, há um aumento da massa salarial paga”, destaca. Ele lembra que os números foram bem mais expressivos que os registrados pela indústria (5%) e comércio (4,7%) por se tratarem de dados nominais, ou seja, sem considerar a inflação do período.

Mesmo assim, ele diz que os resultados confirmam que Goiás mantém uma dinâmica superior à média nacional, confirmadas pelas pesquisas de comércio e indústria do IBGE.

A professora do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Adriana Pereira de Sousa, lembra que o setor de serviços é um dos que mais crescem no País já há algum tempo, uma tendência que, agora, registra um crescimento mais acelerado.

COMPORTAMENTO

Para ela, isso é resultado de uma mudança no comportamento das famílias, onde homens e mulheres trabalham fora, e do fato de muita gente já morar sozinha e precisar de vários serviços, como alimentação e lavanderia. Além disso, essas pessoas também estão com maior poder aquisitivo, o que favorece a contratação de serviços de maior valor agregado, ou seja, que não são considerados de primeira necessidade ou que proporcionem maior satisfação pessoal.

Para a professora, outro ponto a ser considerado é a maior dificuldade que as famílias estão tendo para contratar empregadas domésticas. Além dessas profissionais estarem mais escassas no mercado, de certa forma, a PEC das Domésticas gerou um medo de aumento de custos e uma maior insegurança jurídica entre os patrões.

Fonte: O Popular