Desde a última quinta-feira, quando o empresário Júnior Friboi anunciou a decisão de abortar a sua pré-candidatura, o maior partido de oposição em Goiás não tem candidato a governador. Friboi desistiu e Iris Rezende já havia anunciado que não seria candidato. Agora, o vácuo criado pelo recuo do bilionário causou, em poucas horas, sérios danos ao PMDB. E a tendência é a de que o estrago fique ainda maior.

O prefeito de Guapó, Luiz Juvêncio, já pediu desfiliação e pelo menos outros nove devem trabalhar pela reeleição do governador Marconi Perillo (Niquelândia, Goiatuba, São Luiz do Norte, Mara Rosa, Vicentinópolis, São Patrício, Porteirão, Pontalina e Turvelândia). Fontes do Palácio das Esmeraldas dizem que o número pode chegar a 30. O último a declarar apoio a Marconi foi Ailton Minervino, de Turvelândia, que lamentou o fato de o seu partido ter sido “estraçalhado” pela briga entre Friboi e o ex-governador.

Esperava-se de Iris que ocupasse o vazio deixado pelo afastamento de Friboi, mas em vez disso ele se fechou em copas e sustentou a decisão, anunciada no dia 29 de abril, de não ser candidato ao governo neste ano – em que pese o fato de haver um movimento queremista chamado “Volta, Iris” que pede a ele que reconsidere a sua posição.

Sem Iris e Friboi no páreo, a maior parte dos pré-candidatos a deputado federal e estadual avalia se vale a pena continuar na disputa por um mandato. Há até medalhões que pensam em desistir, como o deputado estadual Wagner Siqueira e o deputado federal Pedro Chaves, além de promessas como Paulo Vale e Marcelo Melo, que trabalham por uma vaga na Câmara.

 

Fator de risco para o PMDB

Esses pré-candidatos enxergam a divisão do PMDB como fator de risco para as suas postulações. Também pesa negativamente o fato de que, fora do processo eleitoral, Friboi não vai abastecer a campanha deles com a soma de dinheiro que havia sido prometida.

Com o recuo de Iris e de Júnior Friboi, o PMDB ainda tem dois pré-candidatos a governador: os ex-deputados estaduais Wagner Guimarães e Ivan Ornelas, mas nenhum deles é levado a sério porque, na opinião dos peemedebistas, não são capazes de reunir estrutura de campanha necessária para fazer frente a Marconi.

 

Grupo quer Daniel Vilela

Na tentativa de ocupar o vácuo e estancar a saída de prefeitos do partido, um pequeno grupo defende que o deputado estadual Daniel Vilela (PMDB) lidere a legenda – ou o que sobrou dela – no embate pela cadeira de governador. O problema é que Iris e seus aliados têm resistência a Daniel e ao pai dele, o prefeito de Aparecida, Maguito Vilela.

Além disso, Daniel teve o nome envolvido em um escândalo de desvio de recursos de fundos de previdência municipal, o que pode ter arranhado precocemente a sua imagem.

Enquanto a crise se arrasta, o PMDB se isola. Além do PT, que decidiu bancar um nome próprio na disputa, outros quatro pequenos partidos se afastaram do bloco. São eles PTN, PRTB, Pros, PCdoB e PPL. As cinco siglas tinham compromisso firmado com Friboi, mas a renúncia dele as colocou de volta ao mercado.

 

Marconi lucra com a crise interna do PMDB

O governador Marconi Perillo (PSDB), sem sombra de dúvidas, é o principal beneficiário do esfacelamento do PMDB, principal partido de oposição ao seu governo. O tucano avança rápido sobre a base de prefeitos peemedebistas e já teria garantido o apoio de pelo menos nove ao seu projeto de reeleição.

Fontes mais otimistas do Palácio das Esmeraldas sugerem que este número já chegou a 25 e pode bater em 30, mas os nomes são mantidos em sigilo para não atrapalhar a negociação. 

Além de incorporar novos aliados ao seu exército, Marconi também goza do privilégio de governar sem que haja críticas contundentes à sua administração – papel que, por direito, caberia ao PMDB. Para sorte dele, o principal partido de oposição tem de superar o complicado debate interno antes de se apresentar como solução para os problemas do Estado.

Fonte: Diário da Manhã