81,5% não praticam atividade física suficiente para beneficiar a saúde, revela o Sesi-Goiás


 

O trabalhador da indústria goiana precisa melhorar os cuidados com sua saúde. Esse é o resultado do levantamento do Diagnóstico da Saúde do Trabalhador do Programa Indústria Saudável divulgado ontem pelo Sesi-Goiás. Os números revelam a necessidade de mudança de estilo de vida do trabalhador da indústria goiana com o intuito de prevenir futuros problemas relacionados à saúde.

Nesses aspectos, os dados são preocupantes e mostram que 81,5% dos entrevistados não praticam atividades físicas em quantidade suficiente para beneficiar a saúde, 65,7% não consomem frutas e verduras diariamente e 61,3% não praticam atividades físicas nos períodos de lazer. Esses números foram extraídos de entrevistas com 15.358 trabalhadores, o que representa 4% do total de 346,7 mil funcionários do segmento em Goiás, registrados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

A coordenadora do Diagnóstico de Saúde e Estilo de Vida do Sesi-Goiás, Marcela Alves Andrade, afirma que o resultado está dentro da realidade de Goiás. “Nossa dieta é rica em calorias, gordura, consumimos poucas frutas e temos hábito de ir ao médico somente quando estamos doente”, diz. Embora essas particularidades não determinem que a saúde do trabalhador goiano está ruim, elas apontam que o funcionário não se preocupa com o aspecto preventivo. Rotina estressante, uso excessivo do computador, má postura e alimentação incorreta refletem em perda lenta e gradativa da qualidade de vida.

O cabista Reinaldo Nascimento Cruz, de 40 anos, é um exemplo do universo dos funcionários das indústrias goianas. Reinaldo se orgulha ao dizer que, nos últimos nove anos, nunca faltou ao trabalho. “Nunca tive nenhum problema de saúde. E ainda não bebo e não fumo”, diz. Ele afirma que se preocupa com os cuidados relacionados à saúde, mas derrapa ao descrever a alimentação e a prática de exercícios físicos. “Não como frutas todos os dias”, diz. Ele afirma que pratica apenas os exercícios laborais realizados, duas vezes por semana, dentro da empresa. Mas caso a indústria não proporcionasse essa atividade, a situação poderia ser ainda pior. “Com o corre-corre não sobra tempo para fazer exercício”, declara.

Marcela acredita que o relatório entregue a cada empresa participante é uma ferramenta fundamental para as indústrias traçarem metas e ações direcionadas para amenizar os altos índices apresentados. Para ela, o trabalho vem surtindo efeito ao longo dos últimos seis anos. “Temos percebido reduções no consumo de sal e aumento no consumo de frutas, por exemplo”, diz.

O diretor da regional de Goiás e Tocantins da Telemont Engenharia de Telecomunicações, Ricardo Daniel Lopes, afirma que participa do projeto desde seu início, em 2007. Ele diz que o diagnóstico permite conhecer mais de perto o universo de 2,5 mil funcionários goianos. “Ele identifica situações que não conseguiríamos no dia a dia, como questões sobre sedentarismo, obesidade e saúde bucal”, afirma.

Com o resultado em mãos, diz, pode desenvolver ações mais direcionadas e assertivas. Para se ter ideia, após um diagnóstico apontar alto índice de obesidade entre os funcionários da regional de Goiás ele resolveu adotar, em parceria com o Sesi, o programa Grande Perdedor, uma espécie de competição que tem como finalidade a perda de peso entre os funcionários. O programa envolve a participação de nutricionistas, alimentação balanceada e prática de exercícios físicos. “Quem perder mais peso, ganha prêmio relacionado à saúde, como bicicleta ou tênis”, diz.

Custo-benefício

Ricardo não sabe mensurar o prejuízo que o afastamento de um funcionário pode acarretar para a empresa. Mas explica que investir no bem-estar do funcionário é uma via de mão dupla. “A ausência do trabalhador traz prejuízo para a empresa mas também para ele, já que muitos ganham em cima da produção”, explica.

Custo cresce 6,3% em 2012

Brasília – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou ontem que o setor teve custo 6,3% superior em 2012 em comparação ao ano anterior. Segundo a CNI, o custo subiu mais do que a alta dos preços, que registrou acréscimo de 4,9% no ano passado.

No último trimestre de 2012, entretanto, houve uma interrupção na tendência de queda da margem de lucro, segundo avaliação da CNI. Isso porque, pela primeira vez nos últimos seis trimestres, os preços (6,8%) cresceram mais que os custos (6,1%), na comparação com o mesmo período de 2011. Os números fazem parte do estudo sobre indicador dos custos industriais de 2012.

De acordo com a CNI, o aumento de 6,3% se deve principalmente ao crescimento do custo de produção, que subiu 8,3% se comparado a 2011. Foi o maior crescimento anual desde 2008, quando a taxa de crescimento foi de 8,6%. O custo com pessoal teve elevação de 10,8%.

O custo tributário, que também é considerado na pesquisa, cresceu 5,6% no ano passado em relação a 2011. Mas quando a comparação é do último trimestre de 2012 com o terceiro trimestre do mesmo ano, a pesquisa aponta redução de 0,8%. Para a CNI, essa queda é resultado das medidas tomadas pelo governo para reduzir a carga tributária da indústria, como a desoneração da folha de pagamentos e a redução do IPI.

O indicador leva em conta, ainda, o custo do capital de giro, que caiu 24,8% em 2012, quando comparado ao ano anterior. Foi a redução nas taxas de juros, segundo a CNI, que evitou que os custos industriais crescessem com maior intensidade.

Fonte: O Popular (GO)