O bom desempenho das exportações goianas fizeram o saldo da balança comercial do Estado (diferença entre exportações e importações) atingir US$ 1,9 bilhão de janeiro a agosto deste ano, o maior da história neste período. Nos oito primeiros meses deste ano, Goiás exportou US$ 4,97 bilhões, um volume 2,17% maior que o exportado no mesmo período de 2013, enquanto as importações somaram US$ 2,99 bilhões. O Estado já tem 154 parceiros comerciais no mundo e uma pauta de quase mil produtos negociados.

O saldo acumulado da Balança Comercial de Goiás em agosto, divulgado ontem pela Secretaria de Indústria e Comércio (SIC), é 33,4% maior do que no mesmo período do ano passado. “A tendência é de que a balança comercial feche o ano com um avanço de até dois dígitos, bem acima do desempenho do País”, prevê o secretário de Indústria e Comércio de Goiás, William O’Dwyer. O saldo acumulado da balança goiana no ano é sete vezes maior que o da brasileira (US$ 249 milhões).

Carnes e grãos

Só em agosto, as exportações goianas somaram US$ 647 milhões, uma queda de 6,67% em relação ao mesmo período de 2013. O’Dwyer ressalta que a queda nas exportações de agosto ocorreu porque a base de comparação de 2013 está inflada. “Com a quebra da safra americana de milho e da safra indiana de açúcar, exportamos milho e açúcar acima da média em agosto do ano passado. Também em 2014 houve um dia útil a menos que em 2013, o que faz toda a diferença nas exportações”, explica.

Mesmo com a queda, as exportações resultaram num saldo positivo de US$ 186,4 milhões em relação às importações, o segundo maior para este mês desde 2004. Os produtos mais exportados foram grãos e carnes. Os países que mais compraram do Estado foram a China, Arábia Saudita e Holanda.

As exportações foram puxadas pelas compras dos grãos e aves de Goiás pela Arábia Saudita e pelo aumento das vendas de milho para a China. Mas o superintendente de Comércio e Serviços da SIC, Danilo Ferreira Gomes, informa que também houve um crescimento de 137% nas exportações de carne bovina: US$ 29,7 milhões vendidos em agosto, contra US$ 12,5 milhões no mesmo período do ano passado.

Porém, ele garante que a balança comercial goiana ainda não sentiu os efeitos do fim do embargo da Rússia à carne brasileira, o que deve acontecer nos próximos meses. Como a Rússia já anunciou que o País compensará a proibição de importação de alimentos e produtos agrícolas da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos com maior fornecimento de carnes do Brasil, Goiás deve ser beneficiado.

A decisão acontece após um decreto do presidente Vladimir Putin proibir ou limitar importações de alimentos de países que impuseram sanções à Rússia por causa da derrubada de um avião da Malaysia Airlines por um míssil disparado por separatistas ucranianos apoiados pelos russos.

A soja continuou sendo o produto mais exportado por Goiás em agosto, apesar das vendas de grãos terem caído 16% no mês. Danilo explica que isso ocorreu porque, este ano, houve uma antecipação da venda da safra para aproveitar o momento de bons preços no mercado e a demanda aquecida. “No acumulado do ano, vendemos muito mais soja que no mesmo período do ano passado”, destaca.

Importações

Em agosto, as empresas goianas importaram US$ 460 milhões, 16,3% mais que no mesmo período do ano passado. Foram adquiridos, principalmente, produtos farmacêuticos, veículos, automóveis, tratores e suas partes e adubos ou fertilizantes, que são basicamente matérias-primas para a indústria local. Esses produtos vieram mais da Alemanha, Estados Unidos e Japão.

O secretário destaca que os países do Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul) representaram em agosto 28% das exportações goianas. “Existe uma complementação econômica entre estes países. Goiás faz parte deste cenário, com a exportação de minérios e produtos alimentares, com preços mais competitivos”, avalia O’Dwyer.

Segundo ele, o saldo acumulado é resultado da política de atração de investimentos e da alta competitividade do produto goiano. Um bom exemplo, de acordo com o secretário, é o da carne bovina, que é rastreada da fazenda ao frigorífico. “Nossa expectativa é fechar o ano com, pelo menos, US$ 8 bilhões em exportações”, prevê.

Fonte: O Popular