O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, disse que o risco de haver um racionamento de energia no País é de 60%. Pires, que foi um dos colaboradores do programa energético da campanha do candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB), participou, ontem, de um evento realizado pela bancada do partido em Brasília, para discutir a crise no setor. “O setor elétrico está vivendo o pior momento da vida dele. Tem uma conta para pagar de R$ 115 bilhões [acumulada de 2012 a 2014, segundo suas estimativas], assumida pelo setor, em função dessas tarifas populistas e estamos na beira de um racionamento”, disse.

Aposta nas chuvas

Segundo o especialista, o governo está “novamente” apostando na chuva para conseguir resolver a situação.

“É inacreditável um ministro de Minas e Energia [citando Eduardo Braga] declarar que está esperando o reservatório chegar a 10% [para decretar um racionamento]. Ele está esperando o blecaute”, afirmou. Para o especialista, a presidente Dilma Rousseff deveria fazer um pronunciamento em rede nacional de televisão para lançar um grande programa de eficiência energética e propor a racionalização do consumo elétrico. “Pedindo que voluntariamente as pessoas diminuam seu consumo. Em pouco tempo não vai ter nem energia para fornecer para a população. Vai ter que ter corte mesmo”, completou. (Folhapress)

Fevereiro ainda terá bandeira vermelha

No mês de fevereiro os consumidores brasileiros vão pagar novamente um adicional de R$ 3 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) de energia consumidos. Pelo segundo mês, estará em vigor a bandeira tarifária vermelha para todas as regiões, exceto para os estados do Amazonas, Amapá e Roraima.

O sistema de bandeiras tarifárias, que permite a cobrança de um valor extra na conta de luz de acordo com o custo de geração de energia, começou a vigorar no início de janeiro. No primeiro mês do ano, a bandeira também foi vermelha, por causa do uso intenso de energia de termelétricas, que é mais cara do que a gerada por usinas hidrelétricas.

As bandeiras funcionam como um semáforo de trânsito, com as cores verde, amarela e vermelha para indicar as condições de geração de energia no país. Se for um mês com poucas chuvas, os reservatórios das hidrelétricas estarão mais baixos, por isso, será necessário usar mais energia gerada por termelétricas.

Como funciona

Quando a conta de luz vier com a bandeira verde os custos para gerar energia naquele mês foram baixos, portanto, a tarifa de energia não terá acréscimo. Se vier amarela, é sinal de atenção, pois os custos de geração aumentaram. Nesse caso, a tarifa de energia terá acréscimo de R$ 1,50 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Já a bandeira vermelha mostra que o custo da geração naquele mês está mais alto, com o maior acionamento de termelétricas, e haverá um adicional de R$ 3 a cada 100 kWh. (ABr)

Consumo em 2014 foi o menor em 5 anos

O consumo de energia elétrica, registrado pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) no ano passado, cresceu 2,2% em relação a 2013, o menor aumento anual desde a demanda negativa de 1,1%, em 2009, no auge da crise econômica deflagrada em setembro de 2008 com a quebra do banco norte-americano de investimentos Lehman Brothers.

Os dados constam da Resenha Mensal de Energia Elétrica, divulgada ontem pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A resenha mostra que o consumo de energia elétrica cresceu 3,4% em 2013, ficando praticamente estável em relação aos 3,5% de crescimento em 2012.

O fraco desempenho do setor energético no ano passado teve como principal responsável o setor industrial brasileiro, que ficou bem abaixo das previsões iniciais do setor. Em 2014, o consumo da indústria caiu 3,6%, comparado a 2013.

A demanda do setor de serviço e comércio cresceu 7,3% em relação a 2013, liderando mais uma vez a expansão do consumo de energia. Já o consumo residencial cresceu 5,7% em relação a 2013, devido à expansão do número de consumidores residenciais e ao aumento do uso de condicionadores de ar, evidenciado na forte elevação do consumo de energia nos meses de janeiro e fevereiro, sobretudo no Sul e Sudeste do País, diz a resenha da EPE. (ABr)

Fonte: O Hoje