Cada vez mais raras, essas profissionais domésticas têm oportunidade de cobrar salários melhores

Quem já precisou de uma empregada doméstica em Goiânia conhece o drama que é a busca por mão de obra, cada vez mais escassa e cara. Seja pelos classificados nos jornais, nas agências de emprego ou pelo boca a boca, a oferta de vagas tem crescido acima do número de profissionais. No escritório da psicóloga Patrícia Faria, que trabalha com recrutamento, surgem todos os dias uma média de 12 solicitações de donas de casa em busca de mensalistas e diaristas, mas, no máximo, duas vagas são preenchidas diariamente.

Cada vez mais raras, as empregadas que trabalham em uma só residência têm a oportunidade de cobrar salários melhores. “No geral, acima de R$ 750,00 a R$ 800,00”, registra a psicóloga. As diaristas também reajustaram seu dia de trabalho: poucas são as que cobram menos de R$ 60,00. E como a faxina, normalmente, é separada dos cuidados com a roupa, muitas famílias acabam empregando mais de uma profissional, o que engrossa ainda mais o número de vagas.

Mas o problema que leva dor de cabeça a muitos lares da capital é um indicativo extremamente positivo para a economia como um todo. Segundo o economista Marcos Arriel, que é vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-GO), uma série de fatores explica a crescente falta de mão de obra doméstica e o aumento da renda da população, em especial da classe média, é a primeira delas. Com o maior ganho das famílias, mais lares passam a demandar o serviço de profissionais do lar.

Ascenção

Além disso, a ascenção social daqueles que se submetiam a serviços domésticos permite que eles invistam em novas carreiras, no comércio e na indústria, setores em expansão nos últimos anos e com grande absorção de mão de obra. “A oportunidade de emprego é enorme hoje. Com um curso de informártica ou nem isso, elas conseguem trabalho como caixa de supermercado, atendente de call center, vendedora”, acrescenta Patrícia.

A mudança no mercado das domésticas permitiu um avanço, inclusive, nas relações trabalhistas, enfatiza Marcos Arriel. Como sobram vagas, cada vez menos elas se submetem a humilhações, como já foi muito comum. Entretanto, ainda há muito que se avançar nesta questão, conforme destaca a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos (Sintradego), Rosária de Oliveira.

“Ainda existem muitas domésticas que vêm ao sindicato reclamar de discriminação e até agressão. Em muitos casos, até a alimentação é precária. Muitas patroas ainda massacaram suas secretárias”, relata. A psicóloga Patrícia Faria acrescenta ainda que há falta de profissionalismo por parte de muitos patrões que pioram a fama ruim do mercado. “Eles têm que entender que o trabalho em casa deve funcionar como uma empresa. É preciso ter paciência no tempo de adaptação, ter maleabilidade de não exigir que a empregada seja boa em todos os quesitos e, se for o caso, investir em treinamento.”

Fonte: O Popular