Empresários goianienses fazem um dia “desconto” em alguns pratos de restaurantes para mostrar o quanto a comida fica cara devido à carga de tributos

O dia 25 de maio é um marco anual para o empresariado brasileiro, até essa data tudo que produz economicamente no País é para pagar impostos, ou seja, quase a metade do ano. Como em 2014 a data cai em um domingo, Dia Nacional de Respeito ao Contribuinte e da Liberdade de Impostos (DLI), instituído pela Lei Federal 12.325, de setembro de 2010, será celebrado na sexta-feira dia 23 de maio.

Na data, restaurantes e bares de Goiânia vão comercializar alguns pratos dos respectivos cardápios sem impostos, para mostrar ao consumidor o quanto a carga tributária que incide sobre o preço dos alimentos, serviços é alta. De acordo com o Instituto de Planejamento Tributário (IBPT), até o dia 31 de maio, os brasileiros vão gastar 41,37% dos ganhos só para pagar impostos.

A programação do DLI em Goiânia é organizada pela Associação de Jovens Empreendedores e Empresários de Goiás (AJE Goiás), em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – seção Goiás (Abrasel-GO). Em nível nacional, o movimento é coordenado pela Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje).

Segundo o IBPT, ao final da conta os contribuintes goianienses pagam 33% do valor de cada prato que consomem só de impostos. Na data, os empresários que vão participar do DLI vão proporcionar esse mesmo desconto e o consumidor vai poder observar o tamanho da diferença no preço.

Comida

Segundo o coordenador do DLI em Goiás, Rafael D’Almeida, as ações serão realizadas em 20 Estados do País e o enfoque dado neste ano é para os postos de combustíveis e refeição.

Em Goiás, as refeições são o foco da programação. Rafael, explica que se trata de itens que não há como não consumir, porque são essenciais para a sobrevivência. “Se a tributação em cima da alimentação fosse menor, o brasileiro poderia comer mais barato, melhor e gastar menos com saúde”, ressalta.

D’Almeida diz que neste ano a adesão de restaurantes no DLI foi pequena porque muitos não podem deixar de cobrar o valor do imposto, mesmo que seja por um dia, porque a perda é muito grande. “Mas no próximo ano, faremos um trabalho intensivo para mais restaurantes e bares estejam presentes no evento, no mínimo 30 estabelecimentos”, ressalta. A concentração da Abrasel, Aje e demais empresários será no restaurante Cateretê da Avenida T-2, a partir das 11 horas.

Intenção é mostrar peso da carga tributária

O Proprietário do Café Nice, Fernando Jorge, diz que a participação em um evento como serve para mostrar a população quanto o imposto encarece a refeição no País, e a cada ano aumenta mais. “Se a carga tributária não fosse tão alta, certamente o brasileiro comeria melhor e ainda poderia gastar com outras coisas. Mas creio que o pior é pagar impostos caros e não ter bons serviços e nem retorno como educação, segurança e saúde”, destaca.

O diretor do restaurante Cateretê, Newton Pereira, diz que muitas vezes o público culpa os empresários pelas grandes margens de lucro. Porém ele argumenta que a margem varia de 8% a 10%, enquanto a carga tributária que incide sobre a alimentação é de 34%.

“Se nós deixarmos de pagar algum imposto, as multas e juros são enormes. O retorno desse imposto pago é nenhum e nós se quisermos ter serviços de qualidade como saúde, educação e segurança temos que pagar particular”, diz. Newton explica que o brasileiro demora para se engajar em uma luta, e leva um susto ao ver ao ver a diferença no preço provocada com a retirada dos impostos.

Fonte: O Hoje