Em 2013, a inflação pesou no bolso dos consumidores, que acompanharam o aumento generalizado de preços no país. No entanto, o ritmo de alta de alguns gastos, como os relacionados à habitação, perdeu força em relação ao ano anterior.

Puxados pela queda da energia elétrica residencial, que, no ano passado, ficou 15,66% mais barata, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os preços de despesas relativas à manutenção de uma casa subiram bem menos em 2013. De uma alta de 6,79% em 2012, a variação desses custos caiu para 3,4% no ano passado.

No início de 2013, um pacote de medidas foi criado pelo governo para reduzir o preço da energia elétrica residencial em troca de cortes em encargos embutidos na conta de luz e da renovação de contratos de concessão.

A previsão do governo federal era que as contas tivessem uma redução média um pouco maior do que a registrada pelo IPCA, de 20,2%. Já a projeção do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, anunciada no início de 2013, era que, ao longo do ano, a tarifa de eletricidade tivesse um recuo de aproximadamente 11%.

A natureza não contribuiu com o setor. Desde maio de 2012, diante da queda no nível dos reservatórios das hidrelétricas, as termelétricas vêm sendo acionadas pelo governo, gerando um custo ainda maior, porque fazem uso de combustíveis para produzir energia.

Para evitar o repasse de uma só vez desses custos adicionais para os consumidores, o governo foi autorizado em 2013 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a cobrar esses gastos a mais apenas a partir de 2014 e em até cinco parcelas anuais.

Por isso, a partir deste ano, as tarifas não deverão ficar mais baratas como em 2013. A perspectiva dos economistas consultados pelo G1 é que as tarifas fiquem de 4% a 6% maiores neste ano.

Esse tipo de medida de represamento de repasses de custos é questionável, na opinião do professor de finanças do Ibmec Rio Gilberto Braga.

“É como estar na praia e construir um montinho de areia em frente ao mar. A água vai parar quando chegar até a proteção, mas uma hora ou outra vai ultrapassar essa barreira. É isso que o governo faz.” Ao postergar esses repasses, como o das tarifas de transporte, o governo “segura o índice”, mas adia um problema que terá de ser enfrentado.

Aluguel e limpeza pesaram no bolso

Apesar dessa queda nos preços de energia, outros tipos de gastos, que são usados no cálculo da variação do índice de habitação, ficaram mais caros de 2012 para 2013, fazendo com que a alta de preços, ainda que menor, fosse registrada. 

A variação dos preços de aluguel residencial, por exemplo, passou de 8,95% em 2012 para xx% no ano seguinte. Artigos de limpeza ficaram ainda mais caros de 2012 para 2013, passando de uma alta de 4,82% para xx%. Gás de botijão seguiu a mesma tendência e subiu de 4,87% para xx%.

Entre os grupos de gastos analisados pelo IBGE, o de alimentos, que vem, nos últimos anos, registrando as maiores variações de preços, também subiu menos. Em 2012, a inflação dos alimentos e bebidas foi de 10,41% e caiu para xx% no ano passado.

Também perdeu força a alta de preços de vestuário. A variação recuou de 5,37% em 2012 para xx% no ano seguinte.   

No entanto, outros grupos como o de transportes tiveram reajustes ainda maiores, mesmo que, em muitas cidades, os aumentos das tarifas dos ônibus urbanos, que ocorrem anualmente, tenham sido adiados diante da onda de manifestações populares pelo país. A alta dos preços do grupo, que em 2012 foi de 1,13%, subiu para xx% um ano depois.

Exerceram pressões positivas para esse avanço de preços os gastos com táxi, ônibus intermunicipal, interestadual e passagem aérea.

Padrão de inflação brasileiro

Considerando os nove grupos de despesa utilizados no cálculo, o IPCA fechou 2013 em xx%.

Para o professor de economia da Fundação Instituto de Administração (FIA) Alan Ghani, embora alto, o resultado não surpreendeu.

“Foi uma inflação elevada em comparação aos demais países emergentes. Infelizmente, já incorporamos os 6% ao ano como padrão de inflação para o Brasil. A inflação só não ficou fora do teto da meta pois o governo controlou artificialmente o aumento dos preços administrados, prejudicando investimentos nos setores de transporte e energia”, disse.

Neste ano, o quadro inflacionário deve seguir preocupante, segundo Alessandra Ribeiro, da Tendência Tendências Consultoria Integrada. “Projetamos inflação de 6%, muito próximo ao teto da meta de 6,5%. Qualquer choque de preços pode fazer com que a inflação fique acima deste teto”, afirmou.

Fonte: G1