Com queda de alguns centavos em cada produto, o consumidor ainda não sentiu qualquer alívio

 Duas semanas depois que o governo anunciou a desoneração do PIS/Cofins dos produtos que compõem a cesta básica, alguns itens começam a aparecer discretamente mais baratos nas prateleiras dos supermercados.

Um levantamento informal feito pela Associação das Donas de Casas de Goiás (ADC) anteontem em uma rede de Goiânia encontrou uma redução de quase R$ 20,00 no valor da cesta com 31 itens de alimentação e higiene (de R$ 133,20 para R$ 113,11).

Já é uma diferença significativa, mas, na prática, como o abate em cada produto é de centavos, o consumidor ainda não consegue sentir qualquer alívio na hora de ir às compras.

As lojas Pão de Açúcar e Extra se anunciaram como os primeiros varejistas a aplicar a desoneração aos clientes, desde o dia 11 de fevereiro. Mas o grupo não informou quais itens baratearam e de quanto é a redução já praticada.

Já o Bretas informou que trabalha com tabelas de preços reduzidos para 50 categorias de produtos. As maiores baixas, por enquanto, foram nas carnes de peixe e bovinas. Mas a lista divulgada de redução não inclui os dois principais itens da mesa do goiano: arroz e feijão.

Na rede Tatico, os preços só devem começar a baixar em função da desoneração a partir da semana que vem, quando os novos pedidos forem feitos aos fabricantes.

“Como trabalhamos com um volume muito grande de estoque, os novos preços devem chegar depois do dia 25, quando fizermos a próxima compra”, afirma o gerente geral da rede, Marlon Roger de Sá.

A reportagem do POPULAR também procurou informações junto ao Hiper Moreira, Super Store, Carrefour e Pró-Brazilian, mas não obteve resposta.

Sensação

E se até mesmo uma boa parte das lojas ainda não consegue informar sobre os novos preços sem impostos, o que sobra para o consumidor é a sensação de que nada deve mudar tão cedo. A cozinheira Cleusa Maria dos Anjos, 52 anos, não acredita que os produtos vão chegar mais baratos até sua casa. Ontem mesmo, como não encontrou preços menores durante as compras em supermercado, teve de reduzir a lista somente aos itens essenciais.

“Tudo tem subido ultimamente: o gás, os alimentos. Não vi diferença nem na conta de energia. Para a gente, que trabalha hoje para comer amanhã, tem de ter muito equilíbrio para fazer o dinheiro cobrir todos os gastos. Por isso, eu tenho o cuidado de comprar somente quando está em promoção”, ressalta Cleusa. A professora aposentada Elia de Oliveira Chaves, 67 anos, também não viu redução nos preços dos produtos, em especial de higiene e limpeza. Ela acredita que a atitude do governo de desonerar a cesta terá um resultado muito mais político do que um impacto real para a população.

O superintendente de Inflação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), Salomão Quadros, explica que o repasse total da desoneração dos impostos da cesta básica ao consumidor vai demorar um tempo para ser sentida pela população. “Até que você tenha o varejo vendendo produtos que já saíram da indústria desonerados, leva um certo tempo.” Para a vice-presidente da Associação das Donas de Casa de Goiás, Jacy Ribeiro de Moura, isso deve ocorrer num prazo de dois meses.

Mesmo assim, para ela, o impacto para as famílias será reduzido, em função do encarecimento de outros produtos que não fazem parte da medida. “Muitos itens de hortifruti estão caros neste momento por causa das chuvas. Depois virá a seca e outros produtos terão alta de preço. Por isso, o pouco da cesta que baixar vai ser compensado pelo encarecimento de outros produtos que fazem parte dos gastos dos goianos”, pondera.

O diretor de marketing Eduardo Maia da Cencosud Brasil (detentor da rede Bretas) garante que a empresa tem o compromisso de aplicar a desoneração ao preço final de acordo com o que for praticado pelo fornecedor.

Fonte: O Popular (GO)