Os carros-chefes da indústria goiana, alimentos e bebidas, mineração e farmoquímica, são responsáveis para que o Produto Interno Bruto (PIB) goiano respire um pouco mais aliviado. Isto ocorre apesar do cenário macroeconômico nacional estar em queda – o PIB está no negativo desde o início do ano e teve recuo de 0,6% no segundo trimestre de 2014, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A indústria extrativista do Estado exporta boa parte de seus produtos e os outros dois segmentos são os últimos a serem enxugados da lista do consumidor. Mas, nem por isso, Goiás deixa de sentir os reflexos dessa recessão técnica. Nos últimos anos, a indústria goiana estava habituada a criar, anualmente, entre 18 mil e 20 mil novos postos de trabalho.

Em 2014, a expectativa é de que este número atinja a metade. “Não acredito que vamos começar a demitir, mas não absorvemos mais tanta mão de obra”, diz o coordenador-técnico da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Welington Vieira. Em sua avaliação, o PIB de Goiás deve fechar o ano com saldo positivo.

O que mais preocupa o setor é a queda continuada de investimentos. No País, a taxa de investimento no segundo trimestre caiu 5,3%. Isso significa que a indústria não está se preparando para o futuro e pode apresentar dificuldades em atender a demanda no momento de retomada da economia. Na prática, isso pode gerar uma pressão inflacionária.

“Se não está pronta para produzir de imediato, pode faltar alguns produtos para atender a demanda e isso gera pressão inflacionária”, explica Vieira. O resultado negativo de 2,9% do PIB da construção civil também é um fator de alerta.

O ramo industrial puxa uma gama de setores da indústria da transformação: metálicos, cerâmica, cimento, madeira e tinta. Combinado a um ano de incertezas, em função das eleições, o coordenador acredita que independente do resultado, o primeiro semestre de 2015 está fadado a continuar com baixo crescimento. “Os resultados começarão a vir no segundo semestre”, sinaliza o coordenador-técnico da Fieg.

AGROPECUÁRIA

Embora venha apresentando consecutivos índices positivos no PIB (0,2% neste último semestre), antigos gargalos do setor, como falta ou atraso de investimentos em logística e armazenagem, tendem a fazer com que a agropecuária acompanhe a tendência de queda de outros setores. “Essa falta de investimento impacta diretamente no custo de produção do produtor”, afirma o assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Cristiano Palavro.

Esse aumento de custo pode frear os investimentos dos produtores goianos na aquisição de máquinas, armazéns e outras estruturas físicas, acionando a engrenagem do desaquecimento do mercado.

Ele acredita que os trabalhadores rurais não vão perder seus postos de trabalho, mas o setor pode deixar de contratar serviços diferenciados e novas tecnologias. “O produtor não dá um passo à frente com insegurança”, ressalta.

SERVIÇOS

Responsável por quase um terço da geração empregos no mês passado, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de serviços é o último a sentir a maré baixa de investimentos. Essa avaliação é da presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg), Helenir Queiroz. O setor sofreu queda de 0,5% no PIB nacional.

“Goiás apresenta índices positivos, mas não vivemos em uma ilha”, afirma. Para sobreviver à época de vacas magras, diz que o setor deve buscar novas alternativas e abusar da criatividade. “É um setor que tende renovar em momentos de grande pressão. Tem que obter o mesmo resultado com menor custo”, pontua.

Fonte: O Popular