Em Goiás, das 754,7 mil pessoas inadimplentes, 99,5 mil têm mais de 60 anos. A taxa de inadimplência de idosos goianos é de 13,2%, maior que a brasileira, de 12,7% – o equivalente a 28,5 milhões de habitantes. No ranking nacional, o Estado está na 17ª colocação. Os dados foram divulgados ontem por um estudo inédito do SerasaConsumidor.

Em relação às capitais, Goiânia se encontra na 20ª posição, onde 14,7% dos inadimplentes são idosos. O estímulo pela facilidade do crédito consignado, acúmulo de dívidas e uso do nome para familiares tomarem empréstimos são os principais fatores que colocam esse público na inadimplência.

Entre as razões, de acordo com o economista da Serasa Experian Luiz Rabi, se destaca a utilização do nome por outras pessoas. “Muitas vezes, o idoso é pressionado por parentes a fazer empréstimos ou usar seus dados pessoais para compras parceladas e de longa data. Mas nem sempre essas pessoas cumprem com o prometido e o idoso cai na inadimplência.”

Esse é o caso do aposentado Antônio de Medeiros, 68. Ele mora com dois netos e fez um empréstimo de R$ 8 mil para que um dos jovens pagasse uma dívida com a faculdade. “Não tive como negar, visto que ele não conseguiu uma negociação com a instituição. Infelizmente, ele não cumpriu com as parcelas e meu nome está sujo. Mas espero que até o final do próximo ano esse problema se resolva.”

PROMESSA

A aposentada Lazara Lima Soares, 65, também está inadimplente. Ela explica que possui perfil consumista desde jovem e isso gerou um acúmulo de dívidas. “Cerca de 50% da minha renda mensal é para pagar contas. Com isso, sempre que surge uma emergência deixo de pagar as dívidas, que acabam se acumulando, até chegar ao ponto em que não consigo mais administrar”, reconhece.

De acordo com a aposentada, conseguir poupar e fazer uma reserva é promessa feita por ela todo início de ano. “O pior é que sei como evitar essa inadimplência, só não consigo chegar no caminho certo. Não dá para resistir a uma comprinha aqui, outra ali. Porém, prometi que serei outra pessoa em 2015”, compartilha Lazara.

Para evitar problemas financeiros e não cair na inadimplência, o economista e especialista em finanças Marcus Antônio dá algumas orientações, como negociar com os credores para quitar os débitos.

 

Fonte: O Popular