Depois de ensaiar uma recuperação em fevereiro, a produção industrial goiana sofreu o segundo impacto negativo do ano em março

Depois de ensaiar uma recuperação em fevereiro, a produção industrial goiana sofreu o segundo impacto negativo do ano em março (-1,4%) e fechou o primeiro trimestre de 2011 com queda de 2,6. O recuo nos três primeiros meses é o maior desde o terceiro semestre de 2008, quando a crise financeira mundial abalou a base da indústria, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em janeiro desse ano, a produção teve a primeira queda de 1%, depois de fechar 2010 com avanço recorde na série histórica de 17,1%. Em fevereiro, porém, a produção tentou recuperar o desempenho visto em 2010, e avançou 6,6%. Com mais um recuou em março, o trimestre fechou com queda acentuada, na comparação com o trimestre anterior (outubro/dezembro). “Isso fez o trimestre ter a retração”, diz o economista do IBGE, Fernando Abritta.

Segundo ele, a queda da produção industrial foi influenciada por três dos cinco ramos investigados, com destaque para o grupo de alimentos e bebidas (-13,3%), pressionado pela menor fabricação de maionese, cervejas, refrigerantes, de óleo de soja refinado, tortas, bagaços e farelo de soja.

Também houve perda no segmento de minerais não-metálicos (-7,4%), por conta da menor produção de cerâmicas e cimentos e amianto, e na indústria de metalurgia básica (-14,2%), de ferroníquel e ouro .

Retração


Embora a produção industrial goiana tenha diminuído, a Federação das Indústrias do Estado (Fieg) diz que o fenômeno não é sinal de retração em todo o ano de 2011. “A queda foi apenas por uma questão sazonal nessa época do ano. São meses fracos para a indústria goiana que ressente os efeitos da entressafra agrícola, com reflexo na industrialização de alimentos, e com o excesso de chuvas, na indústria mineral, assim como março. A luz amarela ainda não acendeu”, afirmou o coordenador técnico da Fieg, Wellington Vieira.

Fernando Abritta, por sua vez, avalia que a queda da produção goiana não é um fato preocupante. Pelo menos ainda. “A economia goiana depende e muito da indústria de alimentos e bebidas e do setor farmacêutico.

Esses setores têm ajustes sazonais, como início da safra e fornecimento de matéria prima. Então, não há motivos para preocupação ainda. Só a partir do terceiro trimestre poderemos avaliar”, afirma.

O gerente financeiro da Doce Maior, Marcelo Sintra, diz que os dados confirmam a realidade de sua empresa. A queda na produção no primeiro trimestre foi de cerca de 10%, como reflexo do endividamento.

O superintendente da Cervejaria Imperial, José Maurício Mercado, diz que as novas alíquotas tributárias que começaram a incidir sobre o setor de bebidas desde março também contribuiram para a redução da produção no período. “Essa é uma da medidas que faz a produção diminuir, já que se paga mais impostos e se investe menos”, ressalta o empresário.

 

Fonte: O Popular