Produção industrial no Estado avançou 11,6% em novembro, segundo dados do IBGE. Desempenho é resultado de investimentos dos setores farmacêutico e de metalurgia

A indústria em Goiás registrou o melhor resultado do País em novembro, dividindo as projeções de analistas sobre o desempenho do setor em 2011. A produção industrial no Estado deu um “soluço” e avançou 11,6% em novembro, recuperando a perda de 9% registrada em outubro.

Dados da Pesquisa Industrial Regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem, revelam que o crescimento goiano foi a principal influência para que a média nacional ficasse positiva em 0,3%. O índice do Estado foi mais do que o dobro do segundo colocado, o Paraná, que fechou em 5,4%.

O desempenho mais de 40 vezes acima da média nacional é resultado de investimentos pontuais realizadas pelos setores farmacêutico e de metalurgia. Na prática, ações de algumas empresas puxaram o índice do IBGE, que se ocupa com a aferição da produção física (unidades), e não com o faturamento (vendas).

O presidente-executivo do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas (Sindifargo), Marçal Henrique Soares, explica que novembro fechou com a consolidação dos investimentos da Neo Química e da Halex Istar – os principais responsáveis pela alta de 47% apurada pelo IBGE para a indústria química em Goiás.

Ainda em agosto, a Neo Química iniciou a transferência de maquinários, recursos humanos e tecnologia de São Paulo para sua fábrica em Anápolis. A produção de genéricos e produtos de marca OTC – medicamentos isentos de prescrição médica – de três indústrias concluíram a migração e entraram em operação em novembro, após um investimento de R$ 250 milhões.

“A produção goiana de medicamentos sofreu um acréscimo considerável com este investimento. Acreditamos que a indústria avance em 2011 cerca de 20%. Em 2012, o crescimento deve ficar em 9% a 10%”, estima o presidente do Sindifargo. Segundo ele, os investimentos são paulatinos. “Por isso os efeitos perduram. A Halex Istar é um exemplo.”

O Grupo Halex Istar inaugurou em novembro a ampliação da indústria em Goiânia que dobrou sua capacidade produtiva. A indústria, que se tornou a maior produtora de soro fisiológico do País, viu sua produção sair de 5 milhões unidades de medicamentos para 10 milhões, conforme explica o diretor comercial, Paulo César Pereira.

“Com investimento de R$ 58 milhões, recursos obtidos do FCO, conseguimos dobrar nossa capacidade de produção de medicamentos, como antibióticos e soluções parenterais (soros) e aumentar em 300 os postos de trabalho. Mas não paramos por aí. Ainda queremos avançar mais”, destaca.

Mesmo com o investimento ainda saindo do forno, a indústria já estuda novos investimentos. Paulo César afirma que novas áreas e mercados estão em estudo. “O investimento é paulatino e contínuo”, acrescenta o diretor da empresa que atende apenas o mercado nacional. “Também apostamos num crescimento para o setor neste ano.”

metalurgia

Ao lado do setor farmacêutico, o de metalurgia foi o que mais contribuiu para o índice da indústria goiana ser destaque nacional em novembro. Segundo a pesquisa do IBGE, a alta foi de 27,2% em novembro. O presidente do Sindicato das Indústrias de Metalurgia de Goiás, Orizomar Araújo Siqueira, porém, contesta.

Conforme ele, essa realidade não explica a situação de todo o ramo industrial no fim do ano passado. “Algumas empresas conseguiram aumentar sua produção. Mas a maioria enfrentou dificuldades.”

Orizomar diz que a situação registrada no mês pesquisado pelo IBGE foi de reclamação em função da diminuição do faturamento com a crise europeia. “Vendemos menos, não empregamos e não conseguimos aportar este crescimento”, frisa. Ele destaca que os resultados do segmento estão atrelados à agroindústria e à construção civil, os principais compradores.

“Ambas não foram bem em novembro. A primeira diminuiu as exportações de carne para a Europa com a crise do euro. A segunda sofreu sua retração natural com a chegada das chuvas”, analisa.

Fonte:  O Popular