De julho para agosto, a produção da indústria cresceu de modo generalizado, com alta em 20 dos 27 setores pesquisados

Em mais um sinal da recuperação do setor, a produção da indústria cresceu 1,5% em agosto na comparação livre de influências sazonais (típicas de cada período) com julho, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (2).

Trata-se do terceiro resultado positivo seguido nesse indicador e da maior expansão desde maio de 2011 (1,6%). Em julho, a alta havia sido de 0,5%. Nesses três meses de crescimento, a indústria acumula alta de 2,3% e zera as perdas registradas no período de março a maio, segundo o IBGE.

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De julho para agosto, a produção da indústria cresceu de modo generalizado, com alta em 20 dos 27 setores pesquisados.

Apesar da reação no período mais recente, a indústria ainda opera num ritmo abaixo do verificado em 2011 sob impacto da crise externa, do aumento das importações e da retração dos investimentos. Em relação a agosto do ano passado, a produção caiu 2%. Essa é a décima segunda queda consecutiva nessa base de comparação.

Com esse resultado, a produção da indústria acumula uma queda de 3,4% no ano. Na taxa anualizada (últimos 12 meses), o setor registra retração de 2,9%.

De junho para julho, os destaques de alta foram os setores de veículos automotores (3,3%), alimentos (2,1%), fumo (35%) e refino de petróleo (2,5%). Já as quedas de maior impacto ficou com máquinas e equipamentos (-2,6%).

ESTÍMULOS

As medidas do governo de estímulo à indústria, como a redução de IPI, surtiram efeito e impulsionaram a produção de bens de duráveis, que cresceu 2,6% de julho para agosto, segundo o IBGE.

A categoria, que inclui móveis, eletrodomésticos e veículos, acumula expansão de 9,4% de junho a agosto, num ritmo mais intenso de que a indústria como um todo nesse mesmo período (2,3%). Foi a categoria de produtos que registrou o maior crescimento.

Bens intermediários (insumos e matérias-primas), bens semi e não duráveis (alimentos, vestuário e outros) e bens de capital tiveram ganhos menores de julho para agosto –de 2%, 1,2% e 0,3%, respectivamente.

Para André Macedo, economista do IBGE, a redução do IPI para veículos, móveis e linha branca alavancou as vendas e consequentemente a produção de bens duráveis.

Graças ao benefício fiscal, a fabricação de veículos cresceu 3,3% em agosto, 1,6% em julho e 4,2% em junho. Nesse período, o setor acumulou uma alta de 9,3%.

Com a retomada nos meses recentes, diz, a produção de bens duráveis deixou para trás 11 meses consecutivos de queda na comparação com o mesmo período do ano anterior e cresceu 0,1% em agosto na comparação com o agosto de 2011.

“A indústria vive uma recuperação muito calcada em bens duráveis”, disse Macedo.

Macedo lembra, contudo, que em agosto houve um crescimento mais disseminado e uma melhora do ritmo de produção.

Já em junho e julho, ante os meses imediatamente anteriores, a retomada tinha sido puxada por poucos setores e a maior parte dos ramos ainda registravam queda, segundo o economista.

Além das medidas de estímulo, diz, os estoques estão mais baixos e as sondagens com empresários já mostram um otimismo maior e mais disposição em investir.

 

Fonte: Folha de São Paulo