A substituição de modelos importados por nacionais e uma retomada das exportações ajudaram a produção de veículos a crescer quase 10% no ano passado apesar da retração nas vendas do país.

Em 2013, as fábricas instaladas no Brasil produziram 3,74 milhões de unidades, volume 9,9% superior ao registrado no ano anterior e o maior nível já alcançado pelo setor. O segmento de caminhões foi destaque, com alta de 43,1%, enquanto os veículos leves –mais representativos no total– tiveram avanço de 8,6%.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (7) pela Anfavea (associação das montadoras). O resultado reverte a retração de 2012, quando a produção havia caído pela primeira vez em dez anos.

O desempenho foi impulsionado pelo crescimento de 26,5% nas exportações, que atingiram 563 mil unidades. Restrições tributárias a modelos importados também favoreceram a produção nacional. A participação dos estrangeiros caiu de 20,7% em 2012 para 18,8% no ano passado.

PRODUÇÃO E VENDAS

Os dois fatores contribuíram para elevar a atividade nas fábricas mesmo com a retração nas vendas. Em 2013, o volume comercializado ficou abaixo do ano anterior pela primeira vez desde 2003. A queda foi de 0,9%, para 3,767 milhões de unidades.

Crédito restrito, menor crescimento da renda e baixa confiança do consumidor são alguns dos fatores que ajudam a explicar a retração.

O bom desempenho da produção ajudou a manter o nível de emprego no setor. As montadoras encerraram o ano com 153,4 mil empregados, 2,7% a mais do que em dezembro de 2012.

Apesar da ajuda externa e do aumento de participação dos modelos nacionais, o descolamento entre o ritmo de produção e o de vendas elevou os estoques para o nível considerado preocupante pelo mercado no final do ano passado.

O dado mais recente será divulgado ainda nesta terça-feira (7) e ajudará a finalizar o potencial de crescimento para este ano. Os altos estoques foram um dos principais motivos da queda da produção em 2012.

O cenário é sombrio para as vendas mais uma vez neste ano. Além das incertezas sobre a economia em geral, o setor terá que lidar com a alta no preço dos carros, graças ao IPI maior e à incorporação de itens obrigatórios de segurança.

Fonte: Folha de S. Paulo