IBC-Br aponta alta de 0,89% na atividade econômica no período. Em junho, subiu 1,13% ante maio

A economia brasileira perdeu o motor que sustentava o crescimento e caminha em trajetória errática. Para analistas consultados pela reportagem, a expansão de 0,89% no segundo trimestre em relação aos primeiros três meses do ano, apontada pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado ontem, não é sinal de recuperação. O dado mostra, ao contrário do que previa o governo, que o crescimento econômico desacelerou de abril a junho. No primeiro trimestre, o índice mostrou expansão de 1,1%.

Economistas consultados pela reportagem trabalham com indicadores de julho que permitem vislumbrar uma desaceleração brusca do nível de atividade no terceiro trimestre. O desempenho positivo do segundo trimestre esperado pelo governo, se confirmado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no fim do mês, pode se configurar como o melhor resultado trimestral de 2013.

Cláudio Frischatak, presidente da Inter.B Consultoria, afirma que o governo não soube trabalhar com o esgotamento dos elementos propulsores da “era de prosperidade”, quando o Brasil crescia embalado pelas elevadas exportações de commodities e produtos agrícolas e pelo aumento dos gastos de consumo.

Ele acredita que os investimentos eram a aposta da equipe econômica para substituir esse papel de protagonista do crescimento neste ano. No entanto, depois da surpresa positiva na divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre e de uma continuidade no segundo trimestre, os investimentos perderam força em meio à deterioração da confiança de empresários e das famílias.

“Não vemos mais nenhum vetor de aceleração forte da economia brasileira”, sentencia André Muller, economista da Quest Investimentos. Ele classifica a aposta do governo para deslanchar o nível de atividade – as concessões de portos, ferrovias, aeroportos, rodovias e energia – como “nebulosa”. Estima que possíveis efeitos de êxito do programa vão ficar para o próximo ano. A Quest Investimentos projeta expansão de 1,8% do PIB neste ano e colocou em viés de baixa os 2,5% esperados para 2014.

FREIO

No segundo trimestre, o forte crescimento da produção industrial e o desempenho do comércio contribuíram para um expansão da atividade e compensaram uma provável queda da agricultura. Os números do BC, porém, indicam uma desaceleração de 1,1% apurados no primeiro trimestre para 0,89% no segundo. O índice da autoridade monetária segue metodologia distinta da do cálculo do PIB. No primeiro trimestre, por exemplo, o dado oficial mostrou expansão de apenas 0,6%, quase a metade do que foi apurado pelo BC.

Segundo os economistas, o descasamento do IBC-Br e do PIB pode ser contornado quando se faz a média trimestral do número observado, sem retirar os efeitos sazonais. O economista da MCM Consultores Leandro Padulla diz que essa metodologia indica um crescimento de 1% do PIB no segundo trimestre. Depois da divulgação do indicador do BC, a consultoria Quest revisou a projeção de 0,8% para 1%. Antônio Madeira, da LCA, aposta em expansão de 1,5%. A maioria dos analistas espera uma aceleração no segundo trimestre sobre o anterior, mas alerta que o ritmo não vai se prolongar no segundo semestre. As projeções para o terceiro trimestre situam-se ao redor de zero.

O cenário foi modificado por uma confluência de fatores que impactam a atividade nesta segunda metade do ano: deterioração dos investimentos, perspectiva de aumento do desemprego, excesso de estoque na indústria – especialmente, a automobilística – e encarecimento do custo de empréstimos e financiamentos, em decorrência dos aumentos da taxa básica de juros.

Em junho, o IBC-Br subiu 1,13% em relação ao mês anterior, após registrar queda de 1,50% em maio ante abril. O número veio abaixo da mediana das projeções do mercado (+1,25%), mas dentro do intervalo das estimativas (+0,20% a +1,90%). Na comparação entre os meses de junho de 2013 e de 2012, houve expansão de 2,35%. Nos 12 meses encerrados em junho de 2013, o crescimento foi de 1,94%. No acumulado do ano até junho, houve alta de 2,90%.

Fonte: O Popular (GO)