Consumidor virtual há cerca de uma década, o funcionário público Rodrigo Mendes, 34, realiza, ao menos, quatro compras por ano pela internet. Toma diversos cuidados para fechar um bom negócio – como observar a confiabilidade da loja ou site de vendas –, mas ele começa pelo item básico: o preço do produto. A preocupação com o valor da mercadoria ou serviço (embora não seja a principal) foi a que mais cresceu entre os clientes de e-commerce no último ano, aponta pesquisa realizada pelo site Zoom, em parceria com a Consumoteca.

Dentre 5,5 mil entrevistados pela internet, 32% disseram que priorizam o melhor preço antes de selecionar a loja em que vai comprar. No levantamento anterior, apenas 19% tinham esse critério como principal. Outros 37% optam pelos estabelecimentos em que já tiveram boa experiência anterior e 33% estão mais preocupados com a confiança na entrega (veja quadro).

A retração na economia este ano poderia ser um dos motivos para esse aumento na preocupação dos consumidores com os preços. Mas, na avaliação do diretor de Marketing e Comunicação da Associação Brasileira das Agências Digitais em Goiás (Abradi-GO), Leonardo Diogo, o aumento da confiança em relação à logística das grandes empresas, que hoje entregam o produto com mais eficiência e mais respeito ao prazo, pode ter interferido nessa mudança de comportamento.

Os dados do Procon Goiás colaboram com essa análise. Segundo a instituição, do início do ano até agora, o número de reclamações quanto à demora ou não entrega de produtos e serviços caiu quase pela metade em relação ao mesmo período do ano passado – foram 680, em 2013, e 359, em 2014.

“As pessoas estão acreditando mais no comércio eletrônico e, por isso, a preocupação passa a ser outra. Nesse caso, com o preço”, afirma Leonardo. A existência de ferramentas de comparação de valor e o mercado de classificados on-line também influenciam nesse comportamento, já que apresentam opções mais baratas e atraem consumidores, afirma o especialista.

PESQUISA

O levantamento do Zoom mostra o perfil dos consumidores on-line. Do total, 57% são homens, 53% são de classe B e 17% têm entre 18 e 24 anos. Também cresceu a quantidade de pessoas que possuem smartphone e/ou tablet (67%). Rodrigo Mendes ajudou a engrossar essa estatística: sua última aquisição pela internet foi um tablet, há cerca de dois meses.

Apesar da grande adesão a dispositivos móveis, apenas 31% finalizam a compra pelo aparelho. A maioria das pessoas (45%) utiliza os computadores de mesa (PC) para fecharem negócios.

CLASSE

De acordo com o levantamento do Zoom, houve também um aumento significativo da presença da classe B (53%) e queda na representatividade da classe A: apenas 9%. Já os consumidores da classe C/D são os segundos mais adeptos ao comércio eletrônico, representados por 37%.

A região que concentra maior número de e-consumidores (56%) é a Sudeste, seguida pelo Nordeste (19%) e Sul, com 14%. Para esta pesquisado site Zoom foram entrevistadas cerca de 5,5 mil pessoas por meio de questionários quantitativos estruturados on-line.

“Percebemos que os consumidores estão cada vez mais conscientes sobre a importância de se proteger para comprar apenas em lojas confiáveis. Serviços que garantem a entrega e sites que oferecem vantagens para que o cliente volte a comprar são algumas das ferramentas que melhoram a confiança dos internautas”, comenta Thiago Flores, diretor executivo do Zoom.

Fonte: O Popular