Para o proprietário de dois supermercados na periferia de Goiânia, o empresário João André Sobrinho, a rotatividade se tornou um problema grave. Ele conta que precisa contratar três funcionários toda semana até conseguir ficar com apenas um. A maioria não aceita cumprir o mínimo de obrigações da função e não fica nem uma semana. “Muitos nem avisam que não vão ficar. Só ligam cobrando os poucos dias trabalhados e ainda querem mais direitos”, garante.

Outros entram e ficam apenas os três meses do contrato de experiência. Alguns que ficam mais de seis meses, logo começam a forçar uma demissão de olho no seguro-desemprego. Uma das atitudes mais comuns é faltar ao trabalho várias vezes. Para o empresário, isso tem gerado altos custos para a empresa por causa dos encargos sociais.

Para o presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC-Goiás), Elione Cipriano, o prejuízo é para empregados e empregadores, que têm custos com treinamentos e aprendizagem de seus processos. Ele prevê que, com o início do eSocial, os custos serão ainda maiores, já que será preciso colocar todas as admissões e demissões no sistema on-line. “Quanto mais demissões, maior o risco de erros nesse sistema”, alerta.

Elione lembra que procedimentos para admissão e demissão exigem várias providências por parte das empresas, que geram custos, pois envolvem toda uma legislação trabalhista, que pode variar conforme o sindicato. “Isso aumenta o trabalho contábil e eleva os custos para a empresa, inclusive com os honorários”. Quando o funcionário força uma demissão, por exemplo, a empresa é obrigada a arcar com uma multa de 40% sobre o FGTS.

O trabalhador também é prejudicado por ter vários registros de poucos meses em carteira. Currículos assim podem gerar insegurança nas empresas.

Cleudimar Alves de Oliveira, gerente de Operações e Novos Negócios do hipermercado Hiper Moreira, nunca esteve nas estatísticas de rotatividade. Ele está há 24 anos na empresa, onde conseguiu seu primeiro emprego, quando tinha apenas 14 anos. “Nunca pensei em trocar de emprego porque gosto da empresa e não queria começar do zero”.

Cleudimar começou como pacoteiro e passou pelo açougue e panificadora. Foi repositor, gerente de reposição, chefe de depósito, subgerente e gerente de loja. Seu objetivo é continuar crescendo na empresa e se aposentar nela, onde teve muitas oportunidades de crescimento.

Fonte: O Popular