Setor produtivo aponta estiagem e recuperação de perdas como principais motivos para a alta nos itens

Desde o início deste ano, o preço dos alimentos não deu trégua ao consumidor goianiense. Os aumentos sucessivos provocados em grande parte pela forte seca ocorrida em janeiro e fevereiro e pela alta nos custos de produção resultaram em picos na inflação. As proteínas de origem animal, presentes na alimentação do dia a dia, como carne bovina e leite, não ficaram para trás e também tiveram reajustes significativos.

Segundo o gerente de Assuntos Técnicos e Econômicos da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), Edson Novaes, o preço do leite está em recuperação. De acordo com o Centro Avançado em Economia Aplicada (Cepea), o preço do leite já teve uma alta este ano de 5,9% e apenas em abril o reajuste médio no Brasil foi de 6,16%. Novaes explica que o aumento no custo de produção de 2,36% contribuiu significativamente para a alta, o que significa mais gastos para manter o mesmo animal. Só a silagem teve uma elevação de 5,6% e a mão de obra, de 6,36%. Ele diz que por enquanto os preços não estão sendo totalmente repassados para o consumidor, e quem está perdendo margem é o próprio varejo e a indústria. Porém, segundo o levantamento feito pelo Instituto Mauro Borges/Secretaria Estadual de Gestão e Planejamento (IMB/Segplan), em março o leite tipo C longa vida subiu 7,08%. Os números de abril estão em fase de cálculo, mas o gerente de Pesquisas Sistemáticas e Especiais, Marcelo Eurico de Sousa, adianta que no quarto mês do ano o preço do leite em Goiânia manteve o viés de alta, embora a variação foi menor que a registrada em março.

Recuperação

O presidente da Comissão de Pecuária Leiteira da Faeg e produtor, Antônio Pinto, diz que, apesar da recuperação, o preço do leite está mais barato que em novembro do ano passado. Ele aponta três principais motivos para isso: baixo preço pago pela indústria ao produtor, a estiagem do início do ano e o custo alto da produção. Ele lembra que um dos problemas sérios hoje para quem produz leite é a má qualidade da energia goiana. “Temos de comprar gerador para não ter prejuízo com frequência”, explica.

De acordo com Edson, a tendência é de aumentos, uma vez que o período de entressafra foi adiado devido às chuvas, que chegaram tardiamente no Estado, e deve começar em maio, ao contrário do que acontece todo ano, que começa em abril. “Tivemos uma entressafra fora de hora e, quando começar realmente o período de entressafra, preço do leite e custo tendem a subir na mesma proporção”, relata.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios no Estado de Goiás (Sindileite), Joaquim Guilherme Barbosa explica que o preço do leite vinha de uma recuperação crescente para o produtor, mas nos últimos 15 dias o valor do leite começou a cair. O produtor teve perda de até R$ 0,10 – o que representa cerca de 9% – de redução no preço do produto.“Estamos sem entender o que está acontecendo”, ressalta ele.

Carne

Também não está barato comer carne bovina, logo neste mês quando os preços costumam cair devido à Quaresma. Essa pressão contribuiu para que os preços caíssem pouco antes e depois do feriado de abril. Mas em março, segundo os cálculos do IMB/Segplan as carnes aumentaram em média 7%. Marcelo Eurico explicou que a carne acabou tendo recuo no preço e muitos cortes ficaram estáveis.

Quem fez pesquisas e aproveitou as promoções ocorridas durante a Semana Santa pagou mais barato. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Carnes Frescas no Estado de Goiás (Sindiaçougue), Silvio Brito, o aumento médio foi maior e variou entre 18% e 20%. Ele explica que a alta do preço da arroba vem sendo gradativo desde fevereiro e que abril seria um período de equilíbrio nos preços. O que de fato não aconteceu. “Houve muitos problemas que contribuíram para essa elevação de preços. Acredito que os preços tendem a continuar subindo”, ressalta.

Fonte: O Hoje