O índice oficial que mede a inflação no Brasil, o IPCA, subiu 5,91% em 2013. Para muitos consumidores, no entanto, a percepção é que os preços subiram bem mais.

Em parte, eles têm razão. E, de acordo com economistas ouvidos pela Folha, essa sensação deve permanecer em 2014, com a inflação ainda em alta. Por isso, é importante começar o ano organizando o orçamento familiar e as aplicações financeiras e planejando as despesas.

Papel ligado à inflação protege o investimento

Em 2013, itens cotidianos, como estacionamento de veículo, cafezinho e almoço fora de casa tiveram alta acima do indicador oficial, de 13,76%, 11,76% e 10,06%, respectivamente (veja quadro).

Enquanto isso, o salário mínimo nacional vigente no ano passado (R$ 678) foi 9% maior que o de 2012. Para 2014, o valor foi reajustado em 6,78%, para R$ 724. Já os dois pisos mínimos do Estado de São Paulo subiram 9,29% e 9,42% (para R$ 765 e R$ 755, respectivamente). Para este ano, houve reajuste de 7,19% e 7,28% (para R$ 820 e R$ 810).

“Algumas categorias mais fortes de trabalhadores, como da indústria e de bancos, conseguem ganho nos salários acima da inflação, mas a maioria só recebe a reposição do IPCA, que, muitas vezes, não reflete a inflação sentida pelo consumidor”, diz Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper, instituto de ensino.

PERSPECTIVAS

“Este ano será muito parecido com 2013, com crescimento econômico baixo e inflação de cerca de 6%”, afirma Rocha. “O consumidor deve olhar bem para o seu orçamento e tentar entender que, em épocas de inflação mais alta, é preciso se controlar mais”, acrescenta.

Uma orientação dos economistas é cada consumidor calcular sua própria inflação. Para isso, basta anotar todos os gastos e os da família em uma planilha ou caderno e verificar a variação de preços de cada item ao longo dos meses.

Dessa forma, fica mais fácil reorganizar as finanças por meio de substituições simples de produtos e hábitos que não afetam radicalmente a rotina.

Trocar a marca mais cara pela similar mais em conta no supermercado, por exemplo, pode compensar. Vale também antecipar as compras, reduzindo o número de idas ao mercado.

“Se a pessoa comprava quatro vezes ao mês, deve considerar comprar duas, uma no início e outra no meio do mês. É uma forma de tentar não ser vítima da inflação, pois os preços estão subindo rapidamente”, diz Celso Grisi, coordenador de projetos da FIA, entidade privada ligada à USP.

Com alta de 10,17% em 2013, os cadernos podem ser fonte de preocupação para os pais. A dica, para os modelos com espiral, é reaproveitar as folhas que não foram usadas no ano passado.

Para quem trabalha fora, levar comida de casa para fazer as refeições no serviço, mesmo que alguns dias por semana, ajuda a reduzir os gastos em restaurantes.

EMERGÊNCIAS

Manter uma reserva de emergência na poupança ganha mais importância em época de escalada de preços. “Não são recursos para comprar algo, mas para administrar o orçamento do ano em caso de surpresas, como um conserto em casa ou um tratamento médico”, diz Rocha, do Insper.

Fonte: Folha de S. Paulo