Quase dois meses após o início oficial da safra da cana-de-açúcar em Goiás, a queda no preço do etanol, enfim, chegou com um pouco mais de força para o consumidor nesta semana. O valor médio do litro do biocombustível, que vinha se mantendo estável desde abril, recuou 3% e ontem era vendido a R$ 1,99 na maioria dos postos de Goiânia.

O preço do etanol estava estagnado desde o início da safra, em 5 de abril, em R$ 2,05 nos postos da capital. Este valor, inclusive, se manteve durante quase todo o mês de maio. Até a última semana, o biocombustível esteve em desvantagem em relação à gasolina. Agora, abastecer com etanol voltou a ser mais vantajoso para o bolso do motorista.

A reportagem do POPULAR visitou ontem 11 postos de Goiânia, localizados em quatro bairros, da Região Sul e Central de Goiânia. O etanol é vendido na maioria (oito postos) por R$ 1,99. Mas foi encontrado a R$ 1,89 em um e por R$ 2,05 em dois. Se for considerado o valor médio de mercado no início do mês (R$ 2,05), o combustível sofreu uma redução real de 6 centavos para o consumidor.

A gasolina é comercializada, na maioria dos postos consultados pela reportagem, a R$ 2,98. A relação entre o preço dos dois combustíveis está em 68,7%. A utilização do etanol passa a ser vantajosa na maior parte dos motores quando o preço do etanol corresponde a menos de 70% do valor da gasolina.

Além de vantajoso, o recuo do preço representa economia para o consumidor. Abastecer o tanque de um carro popular de 55 litros por semana representava um gasto mensal de R$ 451,00. Agora, com o etanol a R$ 1,99, o condutor terá de dispensar R$ 437,8 – uma diferença de R$ 13,80.

A gasolina, por sua vez, também está mais em conta. O preço médio caiu cerca de 10 centavos. Vendida antes a R$ 3,09, a maioria dos postos da capital comercializava o combustível ontem a R$ 2,98. Proprietários de postos associam a queda à redução do preço do álcool anidro, que representa 25% do combustível.

CADEIA

A queda do etanol vendido ao consumidor, porém, ainda está longe da diminuição dos preços repassados pela indústria para a cadeia. As usinas baixaram seus preços em 13 centavos. Nas distribuidoras, o recuo médio foi de 4 centavos. Neste dois elos, os preços vem caindo desde o início de maio. Só agora os postos baixaram seus preços.

As informações do preço cobrado pelas usinas são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), e o levantamento nos postos é da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP). O preço de comercialização foi apurado pela reportagem.

O custo do litro do etanol hidratado vendido pelas usinas era de R$ 1,19 no início do mês. Depois de leves oscilações, chegou a R$ 1,03 na semana passada. O recuo de 13 centavos, porém, ainda não tinha chegado aos consumidores. Nas distribuidoras, a queda foi de R$ 1,99 para R$ 1,95 (4 centavos).

O presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg), André Rocha, afirma que a expectativa do setor é que haja a mesma queda nos postos como a registrada nas usinas. “Temos a expectativa de ver esta redução nos postos”, diz.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Goiás (Sindiposto), José Batista Neto, afirma que não está apto para falar sobre preços, já que o mercado é livre e cada posto pode fixar o preço que bem entender. Entretanto, ele diz que a oferta está em alta. “A lei da oferta e da procura existe aqui também. A queda no atacado reflete no varejo”, diz.

Fonte: O Popular