A economia desacelerada, o endividamento das famílias, o retorno do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), financiamento dificultado pelos bancos e inclusão de itens de segurança obrigatórios nos veículos a partir deste ano foram os principais motivos apontados pelas concessionárias para o aumento de até 5% no valor dos veículos novos, no primeiro quadrimestre do ano. Tal reajuste foi estimado apenas em Goiânia. No Brasil, segundo o portal WebMotors, a elevação média no preço dos carros foi de 3,32% no mesmo período. Em ambos os casos, os aumentos foram maiores que a inflação de 2,86% de janeiro a abril, calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse aumento contribuiu com a queda de 4,54% nas vendas dos automóveis, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A explicação da entidade é que uma série de variáveis não está favorecendo as vendas e o segmento se vê na espera de um anúncio de estímulos ao setor por parte do governo federal, para que a comercialização de veículos retome o fôlego.

Segundo a assessoria do Grupo Saga, todos os carros tiveram aumento nos primeiros quatro meses do ano. A explicação é de que os itens de segurança agora obrigatórios – air bag e abs –são caros e oneram no valor final do produto. Conforme o modelo e a marca, o reajuste foi de até R$ 4 mil. A assessoria explicou que no começo do ano a empresa fez campanha para vender os modelos do ano passado com IPI reduzido, sem os itens segurança, e ofereceu taxas especiais para incentivar a compra.

Hora de comprar

O gerente de vendas da Cevel, concessionária Fiat, Charles Brasil, diz que um dos responsáveis pelo aumento foi o preço do aço no mercado internacional. Além do aço, o reajuste do IPI também surtiu um efeito negativo nas vendas. Tanto que ele relata que, logo após o retorno de 3% no imposto, as vendas caíram quase de imediato. “Em janeiro, eu vendi 190 carros e, em fevereiro, foram 140. Ou seja, 50 carros a menos em um mês. Efeito que faz uma grande diferença nas contas das empresas, se considerada a comercialização feita por cada vendedor”, diz. A tendência é de que a taxa cheia de 7% de IPI para carros 1.0 passe a ser cobrada a partir de julho. “Quem for comprar carro é melhor se antecipar para não pagar mais caro”, ressalta.

O gerente de vendas da Belcar BR, concessionária Volkswagen, João Sátiro, explica que, embora houvesse aumento repassado pelas montadoras, elas também oferecem bônus de desconto no carro zero, fato que o deixa mais barato. Segundo ele, a média de aumento dos carros 1.0, em que entra o Gol, carro mais vendido no Estado, foi de 1,5%. Em compensação, com os bônus, o carro fica mais em conta, tanto que em abril faltou o veículo em Goiás. “O consumidor que for comprar carro tem de aproveitar as oportunidades que as concessionárias estão oferecendo e não deixar passar, pois em julho volta o IPI cheio”, destaca.

Vendas

A queda nas vendas foi alta em Goiás. De acordo com os números da Fenabrave, em abril de 2013 foram vendidas 8.093 unidades, enquanto em abril deste ano foram vendidas 6.614. Volume que representa uma queda de 18,7% na comercialização em um ano. Em maio já foram registradas a venda de 2.025 unidades.

Fonte: O Hoje