A correção dos preços dos carros novos com a recomposição da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e a exigência de itens de segurança, como air bag e freio ABS, neste ano, deverão abrir margem para uma valorização de até 3% dos carros usados em Goiás. O aumento médio será para todos os modelos, marcas e deverá ser confirmado a partir de junho, afirmam especialistas.

O diretor do Autoshopping Cidade Empresarial, Luciano Lira, diz que a alta prevista para os usados não afetará a competitividade deste mercado. “Em 2013, os preços ficaram estáveis. Neste ano, o aumento do preço dos novos vai possibilitar a correção do usado, mas sem perder a competitividade. Isso só não ocorrerá se houver uma mudança inesperada no mercado”, diz.

No ano passado, a alíquota do IPI para carros novos esteve reduzida durante todo o ano. No fim de dezembro, porém, o governo federal confirmou o aumento gradual do IPI em 2014. Para os carros populares 1.0, a alíquota, que estava em 2%, passou para 3% na primeira semana de janeiro. Após o dia 30 de junho, subirá para 7%.

Para carros com motor entre 1.0 e 2.0 flex, a alíquota subiu de 7% para 9% neste mês, e vai chegar a 11% em junho. Os movidos apenas a gasolina, a alíquota aumentou de 8% para 10% e vai chegar a 13% em junho. A previsão, segundo entidades ligadas ao mercado de carros novos, é que o preço dos veículos zero-quilômetros suba 3,6% com o retorno da alíquota cheia do IPI.

Mas a volta da alíquota cheia não será o único a encarecer o preço dos novos neste ano. Desde o dia 1° de janeiro, todos os automóveis devem sair da fábrica com air bag duplo frontal e sistema de freios ABS, que evita o travamento das rodas em frenagens mais bruscas. Esses itens não poderão ser vendidos como opcionais. Com isso, a previsão é de que o preço final dos automóveis suba, em média, 3%.

Roberto Lira explica que estas mudanças no mercado de veículos novos serão determinantes para a valorização do carro usado em 2014. No ano passado, segundo ele, a manutenção do corte da alíquota do IPI, que deixou o zero-quilômetro mais em conta, impactou nos preços dos seminovos. “Com o corte do IPI, os preços dos novos ficaram mais acessíveis. E o mercado de usados acabou reduzindo os preços para se tornar competitivo”, diz.

A dificuldade de acesso ao crédito também fez os preços baixarem. Diante do aumento da inadimplência, os bancos apertaram o prazo e subiram os juros para os carros usados. “A falta de facilidade no acesso ao crédito também forçou a queda dos preços em 2013. Estas perdas de margem serão recompostas em 2014”, comenta.

COMPORTAMENTO

O presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), Ilídio dos Santos, ainda lembra que a oferta esteve mais aquecida em 2013. “Desde o início da redução da alíquota do IPI, em 2009, as vendas de carros novos cresceram muito. Eles estão agora chegando no mercado de usados para serem comercializados. A oferta foi maior que a demanda.”

Segundo ele, para 2014, a tendência é de que os preços se mantenham nos mesmos patamares do fim de 2013. Mas, a partir de junho, haverá correções. “Há estoques de carros novos com IPI reduzido e sem os itens de segurança que vão segurar as vendas no primeiro trimestre. Com o retorno da alíquota do IPI, a partir de junho, o mercado de seminovos vai se aquecer muito. É aí que podem ocorrer as correções.”

A tendência de aumento, no entanto, não deve tirar a competitividade do mercado de usados. “Ainda temos a perspectiva de crescer neste ano mais do que no ano passado. A diferença considerável de preços continuará”, afirma. “Estamos recuperando a redução de margem do últimos anos”, frias.

Atento a este movimento, o representante comercial Isaque Fagundes Martins, de 26 anos, pretende antecipar a compra de uma Picap Strada 1.6, ainda no primeiro semestre, antes da alteração dos preços. Ele troca de carro ao fim de cada ano. A opção é sempre por um seminovo. Mas, com a estimativa de correção dos preços, este ano deve alterar o seu hábito de consumo. “A opção pelo seminovo é justamente pela economia. Não quero pegar essa elevação”, afirma o representante.

No último mês de outubro, Isaque comprou um Fiat Uno, ano 2013. Ele diz que o carro, com apenas 20 mil quilômetros rodados, saiu cerca de 20% mais em conta do que se comprasse um novo (R$ 5 mil). “Pesquisei bastante. A internet é uma grande ferramenta para o mercado de seminovos”, destaca.

Fonte: O Popular