O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou ontem que será mantida a exigência de que todos os carros fabricados no País contenham freios ABS e air bags a partir de 1 º de janeiro. Na semana passada, o ministro havia dito que o governo estudava a possibilidade de adiar essa exigência para 2016.

Os argumentos de Mantega para defender o adiamento do prazo, definido em 2009, eram o impacto na inflação, provocado pelo aumento de preços dos carros, e eventuais demissões, por conta do fim da produção de alguns automóveis. A repercussão, porém, foi bastante negativa – a reclamação geral era de que o governo estava colocando a inflação à frente da segurança dos motoristas

Ontem, o ministro informou que a inclusão dos itens de segurança resultará em aumento de 4% a 8% do preço para o consumidor, mas disse ter acertado com as montadoras que os trabalhadores permanecerão empregados. A única exceção à exigência de air bag e freio ABS pode ser a Kombi, cujo fim foi anunciado pela fabricante Volkswagen, já que o veículo não comporta a instalação dos equipamentos. O governo avalia a possibilidade de permitir que esse veículo seja produzido por mais dois ou três anos, sem os itens.

Segundo Mantega, nenhuma empresa concorrente se opôs à exceção para dar sobrevida ao veículo. Por isso, o governo ainda vai tomar uma decisão. “Não é caminhonete, não é automóvel. É uma Kombi e não tem similar”, afirmou o ministro. Carros com grande aceitação no mercado, como Celta, Gol G4 e Uno Mille também são incapazes de incluir esses equipamentos, e devem ser “extintos”.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, 20 mil trabalhadores podem ser afetados se, além da Kombi, as linhas de produção de outros modelos – como o Gol G4 e o Mille, por exemplo – forem descontinuadas por causa das novas regras.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, fez questão de dizer que o adiamento do prazo para a obrigatoriedade dos itens de segurança não foi um pedido da entidade, mas um apelo dos funcionários ligados à produção da Kombi, que se movimentaram para evitar demissões.

IMPOSTO MENOR

Para cuidar dos preços, o governo avalia reduzir o Imposto de Importação de autopeças que não são fabricadas no País. A Anfavea pediu ao governo que esse imposto seja reduzido de 16% ou 18% para 2% para todas as autopeças que não são produzidas no Brasil. Na próxima segunda-feira, em nova reunião entre governo e empresários, deve sair uma decisão sobre o assunto. Segundo Mantega, também serão discutidas na reunião alternativas para garantir que o setor feche 2014 com aumento da produção em relação a 2013.

Fonte: O Popular