Ontem, mesmo dia em que foi divulgada pelo Procon Goiás a pesquisa de preços dos combustíveis em Goiânia, pelo menos cinco estabelecimentos já haviam elevado os preços nas bombas. Na prática, os valores do litro da gasolina e do etanol ficaram entre seis centavos e dez centavos mais caros que os levantados pelas equipes de fiscalização. O comportamento dos proprietários dos postos fez com que a pesquisa realizada nas últimas sexta-feira e segunda-feira, em 80 postos de combustíveis espalhadas em diversos setores da cidade, tornasse obsoleta. O resultado final é de que somente três postos de combustíveis foram notificados a apresentar documentação para justificar o aumento de preços.

Dentro deste universo, a reportagem do POPULAR procurou nove postos de combustíveis que comercializavam produtos com valores mais baratos que a maioria dos estabelecimentos fiscalizados pelo órgão – gasolina abaixo de R$ 3 e etanol abaixo de R$ 2. Destes, cinco já haviam elevado o valor nas bombas ontem e quatro permaneceram com os valores inalterados. O gerente de pesquisa e cálculo do Procon Goiás, Gleidson Tomaz, disse que considera essa atitude um contrassenso, uma vez que preços mais baratos atraem mais consumidores. “O mercado espera que o consumidor busque os locais com preços inferiores para puxar os demais para baixo.”

PESQUISA

Foram levantados os preços de 80 postos de combustíveis da capital. A iniciativa foi tomada dois dias após o consumidor se deparar, sem nenhuma explicação aparente, com um aumento de até 30 centavos nos preços do etanol e da gasolina. Até o início da semana passada a gasolina comum era vendida de R$ 2,79 a R$ 3,09 e saltou para R$ 3,11 a R$ 3,19. Já o etanol subiu de R$ 1,79 para R$ 2,09 e de R$ 2,09 para R$ 2,19.

No entanto, o levantamento do Procon se baseou na última pesquisa realizada pelo órgão nos dias 14 e 15 de maio e não levou em consideração os preços cobradas até semana passada, quando haviam sofrido significativa redução em função do início da safra de cana-de-açúcar.

Ou seja, enquanto o consumidor sentiu no bolso um aumento médio de 15%, da noite para o dia, dos preços dos combustíveis, na apuração realizada pelo Procon ficou constatada elevação de 6,6% do preço do litro da gasolina, por exemplo, e até retração de preços. “Não tem como o Procon adivinhar quando os preços serão alterados. Como parâmetros temos as pesquisas feitas em maio”, justifica Gleidson. Por isso, somente três postos de combustíveis foram notificados para apresentar documentação que justifique a elevação. “Eles elevaram os preços 10% acima dos que eram cobrados em maio.”

“No geral, comprovamos que os preços retornaram para os parâmetros de maio”, diz Gleidson. Ele ressalta que não é só o porcentual de incremento de preços que caracteriza a prática de excessivos, é preciso que haja comprovação de ajuste de acordo dos estabelecimentos. “Percebemos que existem várias diferenças de preços no mercado e isso não prejudica a pesquisa do consumidor”, diz.

Entretanto, pelo menos os custos do álcool anidro (componente de 25% da gasolina) não justifica o recente aumento do preço da gasolina. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Esalq/Usp), em maio, o preço do litro do álcool anidro – componente de 25% da gasolina – era de R$ 1,37. Em 18 de julho, último dado do Cepea, o valor era de R$ 1,33 – 2,9% mais barato. Já o álcool hidratado (etanol), neste período, sofreu acréscimo de 2,58%.

NOTIFICAÇÕES

Segundo Gleidson, as documentações apresentadas pelos três postos de combustíveis notificados poderão servir como espécie de amostragem. “Se elas não justificarem os motivos para elevação dos preços, nada impede que notifiquemos os demais postos de combustível.”

A reportagem entrou em contato com o Ministério Público, mas segundo informações do órgão, o levantamento realizado pelo Procon será analisado pelo promotor de Defesa do consumidor Murilo de Morais e Miranda.

Os 17 postos acusados de práticas abusivas de preço em setembro do ano passado foram multados pelo órgão em fevereiro deste ano, mas a maioria recorreu. O valor médio das multas é de R$ 9,4 mil e a soma atinge R$ 160,2 mil. “Mas é comum, nestes casos, que os postos recorram à Justiça”, afirma Gleidson.

Fonte: O Popular