A indústria pode perder peso no Produto Interno Bruto brasileiro sob a nova metodologia, aponta a presidente do IBGE

 

Assim como a aquisição de software, os gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) também passarão a ser computados no cálculo da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o volume de investimentos no País, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O instituto desenvolve atualmente um Projeto de Revisão do Sistema de Contas Nacionais, que altera a metodologia de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, como antecipou o Grupo Estado.

A mudança nas Contas Nacionais tem como objetivo adequar o cálculo às recomendações internacionais. O resultado será um aumento da taxa de investimentos, que é o peso da FBCF no PIB, no momento em que o País encontra dificuldades para elevar os investimentos na economia. “Tanto software quanto P&D vão ser considerados investimentos. O saldo final da mudança eu não sei”, declarou a presidente do IBGE, Wasmália Bivar. “É uma mudança metodológica, não significa que vai alterar a taxa de investimento”, acrescentou. O PIB do terceiro trimestre de 2014 já pode ser divulgado sob a nova metodologia. “Vai depender da nossa capacidade de concluir o estudo”, disse Wasmália.

A expectativa é que os resultados do projeto de revisão estejam prontos até o fim de 2014. Caso contrário, o novo cálculo sairá no início de 2015, quando forem divulgados os resultados do PIB referentes ao quarto trimestre de 2014. “A ideia é reajustar a série (do PIB) de 1996 em diante”, contou a presidente do IBGE.

Perdas da indústria

A indústria pode perder peso no PIB brasileiro sob a nova metodologia de cálculo, afirmou Wasmália Bivar, presidente do (IBGE). “Na nova classificação, algumas atividades que eram da indústria passaram a ser serviços. O resultado final depende da contabilidade dessas mudanças”, explicou Wasmália. “A gente não vai divulgar um dado. Vamos divulgar uma série. A comparação da indústria sob o novo cálculo não vai ser com a indústria da antiga série, será com a própria indústria da nova série. Seria uma comparação espúria”.

Segundo Wasmália, qualquer tentativa de adivinhar as novas ponderações é mera especulação. “Estamos começando o projeto. Qualquer especulação sobre os resultados dessas mudanças é só especulação mesmo”.

A presidente do IBGE afirmou ainda que as alterações no cálculo do PIB não devem ter a magnitude das efetuadas em 2000. “No ano 2000, as mudanças eram mais robustas, mais substanciais”, explicou.

Wasmália citou ainda que estão em estudos mudanças nas delimitações do setor público, atividades nacionais em território estrangeiro e operações transacionais, como I­taipu. No entanto, a presidente do IBGE se negou a dar mais detalhes sobre essas alterações, sob o argumento de ser prematuro.

Fonte: O Hoje (GO)