As negociações salariais entre patrões e empregados não serão nada fáceis neste ano. Se, em 2010, mais de 90% dos acordos representaram aumentos iguais ou acima da inflação, neste ano, os sindicatos terão de enfrentar uma verdadeira queda de braço para conseguir melhorias. De um lado, os empresários alegam que, como a atividade econômica está em desaceleração, não podem oferecer aumentos reais. De outro, os trabalhadores reclamam que a alta dos preços está corroendo seu poder de compra e que não podem se sustentar com os atuais vencimentos.

Para o coordenador de Relações Sindicais do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), José Silvestre Prado, de fato, o setor patronal deve endurecer as negociações em 2011. “Todo o pano de fundo é o crescimento da economia. Mas os sindicatos devem continuar na briga pelo aumento real”, afirmou. Prado observou que a elevação do salário mínimo para R$ 545, aprovado no mês passado, por ter sido o menor aumento real concedido desde 2003, pode prejudicar as negociações referentes ao piso salarial.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reconhece que a discussão com os trabalhadores deve ser mais conturbada neste ano. O diretor de Relações do Trabalho da entidade, Magnus Ribas Apostólico, afirmou que, embora seja cedo para excluir as possibilidades de aumento real, a tendência é que os reajustes ocorram em ritmo menor que os observados nos últimos seis anos.

“Nossa negociação ocorre apenas em agosto e setembro e, agora, estamos observando o mercado. Como teremos crescimento econômico menor, os acordos devem girar em torno da inflação”, destacou. O diretor observou que, embora a inflação esteja mais alta, ela está presente em poucos segmentos, entre eles o de commodities agrícolas – itens básicos com cotação internacional. Assim, como não pode repassar os custos para o consumidor, a maioria das empresas não terá como elevar os salários dos trabalhadores.

Mão de obra
Se, por um lado, a maioria dos trabalhadores enfrentará dificuldades para conseguir ganhos reais de salário, por outro, a tendência é que profissionais qualificados sejam disputados no mercado. Em 2010, o Brasil criou o recorde de 2,5 milhões de empregos formais. A taxa de desocupação chegou a 6,1% em janeiro, considerada por especialistas perto do chamado pleno emprego.

Com isso, para conseguir oferecer um serviço de qualidade, as empresas terão duas opções: treinar seu trabalhador ou pagar mais para tirá-lo da concorrência. “Esse é outro dado da conjuntura. Falta mão de obra em alguns setores”, disse Silvestre Prado, do Dieese. Entre os setores mais carentes destacam-se construção civil e tecnologia da informação. Além disso, resssaltou o coordenador, mesmo que haja um desaquecimento da economia neste ano, em 2012 o cenário deve ser mais favorável. “No próximo ano, o salário mínimo deve aumentar entre 13% e 14%, o que terá um possível impacto positivo nas negociações”.

 

Fonte: Diário de Pernambuco