Indústria goiana perde fôlego no 2º semestre

Pesquisa da Fieg mostra que o setor começou a apresentar resultados inexpressivos a partir de julho

A atividade industrial em Goiás continua dando sinais de que está perdendo o fôlego verificado no primeiro semestre deste ano. Pesquisa mensal da Federação da Indústria do Estado de Goiás (Fieg) divulgada ontem revela que as vendas do setor em outubro tiveram crescimento de 0,1%. Embora o número seja positivo, desde o início do segundo semestre o faturamento das indústrias goianas vem diminuindo ou apresentando resultados diminutos.

No início do ano, as vendas da indústrias, que servem de termômetro para verificar o fortalecimento do setor, avançaram, em média, 3% na comparação com o mês anterior. A partir de julho, começaram a apresentar resultados menos satisfatórios. Entre setembro e agosto, por exemplo, o recuo foi de 2,4%.

Segundo o assessor Econômico da Fieg, Cláudio Henrique de Oliveira, as quedas ou variações menores são efeitos de sazonalidades dos setores industriais, como a chegada de chuvas e da entressafra do setor sucroalcoleiro. Ele destaca que o acumulado de janeiro a outubro está positivo em 0,17% e que este foi o quinto resultado positivo do ano.

“Em outubro a variação de 0,1% pode ser explicada pelo calendário da agroindústria”, explica. Principais representantes do setor agroindustrial do Estado, as usinas ligada ao processamento da soja, da cana de açúcar e da extração de minérios diminuiram a sua produção, de fato, no mês pesquisado por efeitos sazonais.

As usinas que produzem etanol e açúcar pararam de processar para plantar, assim como a soja, com a chegada das chuvas. O mesmo fator levou o setor de minério a ter redução da extração.

Pela pesquisa da Fieg, o setor sucroealcoleiro desacelerou em outubro 5,92%. O de minerais, por sua vez, foi o que mais teve maior redução das vendas, com -19,18%. “Todos por efeitos de eventos sazonais, ou seja, que ocorrem todos os anos. Não é possível ainda afirmar que a crise está atingindo a economia industrial goiana diretamente”, pondera Cláudio Henrique.

A diminuição do ritmo do consumo interno e as expectativas desfavoráveis em relação ao mercado, porém, são apontadas pelo economista da Fieg como fatores responsáveis pelo cenário. Ele reforça que as ocorrências internacionais refletem de forma negativa nos negócios e na percepção empresarial quanto aos rumos das atividades mercantis.

Cláudio Henrique diz que o aumento do faturamento de 0,1% foi puxado principalmente pelo setor de vestuário, que apresentou variação positiva de 19,18%. “Os negócios das confecções para o fim do ano são firmados entre outubro e novembro, elevando suas vendas por conta do fechamento de contratos”, diz.

Emprego

No ano, o emprego industrial se manteve em destaque, mesmo apresentando diminuição no ritmo de crescimento a partir de julho. Na comparação dos dez primeiros meses de 2011 com igual período do ano passado, verifica-se uma expansão de 2,52%.

“Mesmo com retração nas vendas e na produção, o índice sustentou em um bom patamar de nível de contratação de mão de obra em Goiás, aquecendo a demanda interna por produtos e serviços”, diz o economista.

A massa salarial industrial teve crescimento de 5,20%, em relação a setembro/2011. Boa parte desse resultado se deu em razão dos desligamentos de mão de obra, já que a criação de emprego diminuiu. “Por isso a maior parte do crescimento está ligado ao pagamento de verbas rescisórias, e não ao avanço da massa salarial”, explica.

A massa salarial, juntamente ao emprego industrial, vem sendo as duas variáveis mais positivas e constantes do ano, em que pese a diminuição no ritmo da expansão no segundo semestre de 2011.

A utilização da capacidade instalada apresentou forte retração, em relação ao mês anterior. Esse comportamento teve grande influência dos setores sujeitos aos efeitos da sazonalidade (safra e entressafra), por isso a diminuição da produção, seja por aspectos climáticos ou por diminuição de matéria-prima para processamento.

Fonte: O Popular

Deixe um comentário