Indústria faz salário de Salvador subir muito mais que o do Recife

Capitais dos estados mais importantes para a economia nordestina, Salvador e Recife apresentam diferenças impressionantes na evolução do salário médio dos trabalhadores

Capitais dos estados mais importantes para a economia nordestina, Salvador e Recife apresentam diferenças impressionantes na evolução do salário médio dos trabalhadores. Números da Pesquisa Mensal de Emprego, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam um crescimento de 33% na remuneração média da região metropolitana de Salvador entre os anos de 2002 e 2011. No mesmo intervalo de comparação, o ganho médio no Grande Recife avançou bem menos: 11%.

A explicação, segundo economistas, está na estrutura do emprego das duas regiões. Com uma presença mais significativa da indústria de transformação, que normalmente exige maior qualificação da mão de obra, a Grande Salvador pagava, em média, R$ 1.425 mensais em outubro deste ano, 24% a mais do que na região metropolitana do Recife, com salário médio de R$ 1.146. Há nove anos, porém, a diferença era significativamente menor, de apenas 3,7%.

De acordo com diretor do Departamento de Economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Wilson Ferreira de Menezes, o avanço maior dos salários em Salvador pode ser explicado pelo cenário de escassez de mão de obra qualificada observado nos últimos anos. “Começaram a faltar químicos, biólogos e engenheiros, o que exigiu aumento da remuneração oferecida”, explicou, mencionando profissionais bastante demandados na indústria da Grande Salvador, sobretudo no polo de Camaçari, voltado à produção de químicos.

Outro fator que pode ter impulsionado os salários na Bahia, lembra o professor Menezes, foi a instalação da fábrica da Ford, em 2000, também em Camaçari. O empreendimento trouxe consigo um número importante de fabricantes de autopeças, provocando uma demanda adicional por profissionais capacitados.

No Recife, o crescimento do PIB industrial nos últimos anos foi puxado em boa medida pela construção civil, que paga salários menores e que apresenta maior rotatividade de profissionais. O setor também cresceu fortemente na Bahia, porém a presença maior da indústria de transformação acabou fazendo a diferença em termos de salário.

“No período em questão, a nossa região metropolitana viu um movimento de pessoas saindo do corte de cana para trabalhar na construção, o que não representou necessariamente um ganho significativo de remuneração, visto que a construção também paga pouco. E a Bahia dispõe de um parque industrial mais diversificado”, analisou o economista Alexandre Rands, sócio da consultoria Datamétrica e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Segundo números divulgados pelos governos estaduais, a indústria teve um peso de 29,8% no Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia em 2009, diante de uma fatia de 22% em Pernambuco. Além disso, o PIB baiano mostra uma participação mais significativa, de 16,2%, da indústria de transformação, enquanto que em Pernambuco ela respondeu por 11,3% do PIB.

As duas regiões, porém, continuam com a remuneração inferior à média nacional, calculada em R$ 1.612 em outubro A Grande São Paulo apresentava o maior salário médio, de R$ 1.716, seguido pelo Rio de Janeiro, com R$ 1.676. Entre 2002 e 2011, o ganho médio no país avançou 8,7%. Em São Paulo, a alta foi de apenas 2,4%.

Fonte: Diap

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