Professora em escolas de ensino fundamental e médio, Ludmylla Rodrigues, de 28 anos, trabalha dois períodos, estuda para o mestrado e ainda é a principal responsável pelos afazeres domésticos. Mas a rotina pesada, com diversas atividades que exigem dedicação e tempo, não é exclusividade dela. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em Goiás a jornada de trabalho feminina semanal, considerando o trabalho de casa, é de 56,4 horas, superior quase 5 horas à masculina.

A mulher goiana gasta média de 20 horas em atividades dentro de casa, como lavar, passar e cozinhar, segundo o IBGE. Já a média masculina é de oito horas semanais. Considerando apenas as horas trabalhadas em um emprego remunerado, a média feminina é inferior à masculina. O instituto identificou que a media da mulher é de 36 horas semanais e do homem, de 43 horas. Ludmylla confirma que a jornada tripla à qual se submete é cansativa, mas não vê outra alternativa por enquanto.

Ela já concluiu duas especializações e agora estuda para o mestrado. A professora afirma que, por isso, algumas vezes não consegue se dedicar à casa como gostaria. “Chego a ficar estressada quando a casa não está como eu gostaria. Mas pelos investimentos que faço agora em educação, por exemplo, me impedem de ter uma empregada para me ajudar”. A professora afirma que o marido contribui com os afazeres da casa, mas acaba sendo ela quem tem a maior responsabilidade.

Segundo o IBGE, assim como o observado em todo País, em Goiás, a média de rendimentos das mulheres equivale a 81% do salário de homens com a mesma escolaridade, considerando quatro anos de estudo. Quando a mulher tem mais de 12 anos de estudo, essa média cai para 66%. O levantamento mostra que a relação de desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres é alta nos trabalhos informais, onde elas recebiam 65% do rendimento médio dos homens em 2013. Em 2004 esse número alcançava 75%.

Sociólogo Marcos Elias Moreira entende que a tendência é que a redução da diferença de salários entre homens e mulheres se acentue ano após ano. “Nossa sociedade ainda tem resquícios tradicionais da comunidade agrária e machista, mas as conquistas femininas e a inserção no mercado tende a reduzir isso”. Para ele, é um caminho sem volta. “Hoje a mulher não busca apenas o trabalho, mas se qualificar e alcançar cargos importantes”.

Fonte: O Popular