O governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva, ex-metalúrgico e cofundador do Partido dos Trabalhadores (PT), pode ter abandonado suas origens e beneficiado, em 2009, um grupo muito distinto daquele que dizia representar: as montadoras de veículos.

Segundo documentos obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo, há indícios de que a Medida Provisória (MP) 471, que prorrogou a política de descontos no Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos produzidos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, tenha sido “comprada” para contemplar o interesse das montadoras, propiciando incentivos fiscais de R$ 1,3 bilhão por ano ao setor.

Os pagamentos feitos pela empresa MMC Automotores, subsidiária da Mitsubishi no Brasil, e pelo Grupo CAOA, que fabrica veículos Hyundai e revende Ford, Hyundai e Subari, a lobistas para a obtenção da assinatura da MP pelo Executivo chegaram a R$ 36 milhões, de acordo com os documentos.

Os documentos apontam o repasse de R$ 2,4 milhões ao empresário Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, em 2011, de forma a viabilizar a medida. O texto foi aprovado pelo Congresso em 2010, se tornando lei após ser analisado pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e assinado por Lula no dia 20 de novembro de 2009.