Apesar da queda, Superintendência do Trabalho alerta para uso constante de equipamentos de segurança

O registro de casos de acidentes de trabalho caíram 6,8% em 2011, comparado com 2010. No ano passado, 15.915 foram notificados. No ano anterior, haviam sido de 16.190 casos. Apesar dos dados de 2012 e 2013 não estarem fechados, a expectativa do superintendente de Trabalho e Emprego (SRTE), do Ministério do Trabalho (MTE), Arquivaldo Bites, é de redução ainda maior. Segundo ele, a queda dos números se deve ao rigor da fiscalização e também à conscientização dos empregadores e empregados.

Segundo o superintendente, ocorrem mais casos de acidente de trabalho no setor de indústria. Mas os mais graves são registrados na construção civil. “Fazemos vistorias frequentes e rigorosas em todos os ramos de trabalho. Nos locais de maior incidência de acidentes, temos ainda mais rigor. Mas posso afirmar que o trabalhador está mais consciente da necessidade de estar seguro e poucos são flagrados no trabalho sem os equipamentos de segurança obrigatórios”.

Arquivaldo destaca que há cerca de 20 anos, o número de acidentes fatais eram quatro vezes maior que os registrados hoje. Em 1990, 35 mortes eram registradas no universo de 100 mil trabalhadores. No ano 2000, essa média caiu para 19. Em 2011, o dado já era bem menor: 9 para o mesmo universo. “Segundo dados que já temos, deveremos fechar 2012 e 2013 com oito óbitos ou até menos. Isso representa quase 75% na redução das mortes em trabalho.”

O superintendente acrescenta que, apesar da fiscalização e conscientização, infelizmente, ainda ocorrem acidentes fatais. No país, em 2011, com um total de 711.164 acidentes ocupacionais, 2.884 óbitos foram registrados. O Brasil foi o primeiro país, segundo Bites, a ter um serviço obrigatório de segurança e medicina do trabalho em empresas com mais de 100 funcionários. Cabe principalmente às empresas fornecerem equipamentos e condições seguras de trabalho para seus funcionários. Mas, a garantia de um trabalho seguro depende também da atuação dos Auditores-Fiscais do Trabalho, que verificam e exigem o cumprimento das normas de segurança.

A assistente social com especialização em segurança do trabalho Vandilce Trindade afirma que a presença de profissionais como médico e técnico de segurança de trabalho nas empresas é imprescindível às empresas preocupadas em ampliar os negócios. Ela afirma que esses profissionais se encarregam conjuntamente pela proteção, saúde e integridade física e psicológica do empregado. Eles são responsáveis pela solicitação, e muitas vezes pela realização de exames periódicos, distribuição de equipamentos de segurança e realização de palestras informativas sobre primeiros socorros, prevenção de doenças, treinamentos de combate ao incêndio, entre outros.

Ela explica que, muitas vezes, o empregado acha as ações bobas. “Mas todas as orientações podem ter muita validade no momento da crise. Em situações reais de incêndio, por exemplo, as ações treinadas podem salvar vidas”. A assistente social acrescenta que o empregado é o alicerce da organização, seja ela pública ou privada e seu desempenho profissional é fundamental para o crescimento da empresa na qual trabalha. “Para que isso aconteça é necessário que o empregador zele pela saúde e qualidade de vida do empregado”.

Arquivaldo Bites concorda com a assistente social e afirma ter percebido que o empregador está mais atento às questões de segurança. “Uma empresa com registros constantes de problemas, acidentes e multas, pode manchar o nome junto à sociedade, clientes e mercado. Além disso, outra preocupação são as despesas que os acidentes trazem para o gestor. Quando os acidentes são fatais, os danos podem ser ainda maiores”.

Fonte: O Hoje