São Paulo – Em menos de seis meses, o número de veículos convocados para reparos no Brasil já equivale a 84% dos modelos envolvidos em recall em todo o ano passado. Desde janeiro, 552,3 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e motos foram chamados para correção de defeito de fábrica. Em 2013 inteiro, foram 660,6 mil unidades.

O total de veículos envolvidos em 28 campanhas de janeiro até agora é 147% maior que o de igual período de 2013, que também teve 28 convocações, segundo o Procon/SP.

O impressionante número de veículos que devem passar por reparos para consertar defeitos que colocam em risco a segurança dos usuários é resultado de recalls preventivos que estão sendo feitos pelas fabricantes.

“Há um pânico, uma síndrome entre as empresas e elas estão realizando muitas chamadas preventivas”, afirma Francisco Satkunas, diretor da SAE Brasil, que reúne engenheiros e técnicos do setor automotivo. “Este ano haverá uma explosão no número de recalls.”

SOFISTICAÇÃO

O sócio da PriceWaterhouseCoopers, Marcelo Cioffi, ressalta que recalls têm sido cada vez mais frequentes por causa da sofisticação dos veículos. “Quanto mais tecnologia embarcada, mais chances de problemas.” Grande parte das novas tecnologias, integradas por sistemas eletrônicos, foi criada justamente para dar maior segurança aos usuários, como airbags e freios ABS. “Não é porque tem mais recall que a tecnologia não funciona; ao contrário, ela reduziu significativamente o número de mortos em acidentes.”

Satkunas, da SAE, diz que 70% das convocações têm como origem defeitos nos componentes. Cada automóvel tem em média 3 mil a 4 mil peças. O fato de um carro ser global, contudo, não significa que um recall lá fora seja necessário para um mesmo modelo produzido no Brasil, pois os fornecedores podem ser diferentes.

Cioffi diz que, por enquanto, a onda de recalls não teve impacto nas vendas. No caso do recall da GM americana, “há uma análise por parte dos consumidores de que a empresa, ainda que tardiamente, está promovendo as correções necessárias”.

Fonte: O Popular