Representantes da Força Sindical e da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e dirigentes da Camargo Corrêa decidiram criar uma comissão para discutir as condições de trabalho e reivindicações dos trabalhadores no canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira (RO). O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, deve intermediar as discussões entre os sindicalistas e representantes da empresa.

A decisão foi tomada nesta segunda-feira (21) em reunião que ocorreu em São Paulo com diretores Camargo Corrêa e sindicalistas das duas centrais, que representam parte dos 16 mil trabalhadores que trabalham na construção da usina.

Com a reunião de ontem, as centrais decidiram cancelar o protesto previsto para hoje, em frente ao escritório da empresa em São Paulo.

O primeiro encontro do grupo de trabalho está agendado para a próxima terça-feira, em Brasília. A ideia, segundo os sindicalistas, é que todas as empresas que fazem parte do consórcio responsável pela obra participem e atendam às reivindicações dos trabalhadores.

“Vamos aproveitar a reunião para discutir não somente as condições de trabalho dos 16 mil trabalhadores da Camargo Corrêa em Jirau, mas também dos demais 19 mil funcionários da empresa envolvidos em todas as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)”, disse Ricardo Patah, presidente da UGT.

“Queremos providências sobre a situação de trabalho degradante envolvendo os operários das obras do PAC. Não podemos permitir que trabalhadores vivam, ainda, em situação análoga à escravidão no país”, disse Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical.

A central informou que Paulinho também vai entrar com requerimento na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados cobrando explicações da direção da Camargo Corrêa sobre os problemas trabalhistas e irregularidades nas obras de Jirau.

Entre os pontos que os trabalhadores querem discutir no grupo criado ontem estão: a igualdade de direitos entre funcionários da Camargo e de outras empresas que atuam na obra, tratamento mais “digno” das chefias imediatas com os funcionários, cobrança de preços abusivos em alguns comércios e serviços oferecidos no local (farmácias, restaurantes), além da questão de realização de horas extras.

A empresa informou, por meio de sua assessoria, que está atenta às reivindicações dos trabalhadores e que pretende, no grupo de trabalho criado, discutir “todos os temas propostos pelos trabalhadores”.

A Camargo Corrêa também informou que irá verificar a questão do “tratamento autoritário” apontado pelos sindicalistas e que que repudia essa atitude ou qualquer outra que ofenda os direitos dos trabalhadores. Sobre a cobrança de preços considerados “abusivos”, a empresa afirma que irá verificar a reclamação e informa que existem linhas de ônibus para transportar os trabalhadores, em horários variados, para municípios vizinhos onde podem fazer compras. Em relação às horas extras, informou que cumpre a legislação trabalhista

A média salarial dos funcionários operacionais da obra é de R$ 1.500, segundo informa a empresa. “Com o acréscimo das horas extras, esses ganhos podem chegar a R$ 2.100. Os benefícios estão de acordo com o estabelecido coletivamente com o sindicato da categoria e com a legislação, incluindo cesta básica, plano de saúde e participação nos resultados.”

A construção de Jirau está paralisada desde a semana passada, quando uma revolta de trabalhadores destruiu alojamentos e escritórios.

No sábado, a Justiça do Trabalho obrigou o consórcio a garantir, entre outras ações, vínculo empregatício e pagamento regular de salários durante a paralisação. A construtora disse que já vinha cumprindo a decisão.

Fonte: Folha.com