O Ministério do Trabalho e Previdência Social anunciou nesta segunda-feira (2) a criação de uma comissão da verdade que vai “investigar intervenções em sindicatos e prisões de sindicalistas” que tenham ocorrido entre 1946 e 1995.

De acordo com o ministério, a criação da comissão atende a um pedido feito por nove centrais sindicais e será feita por meio de um decreto a ser assinado nesta terça-feira (3) pelo ministro da pasta, Miguel Rossetto.

O G1 procurou a assessoria do Ministério do Trabalho e Previdência Social em busca de mais informações sobre a comissão, mas foi informado que detalhes só serão divulgados nesta terça.

Além da comissão da verdade, Rossetto deve assinar ainda decreto que reformula o Conselho Nacional do Trabalho, instância consultiva para políticas públicas ligadas ao trabalho, e apresentará uma proposta, a ser encaminhada ao Congressox, que reestrutura o Sistema Nacional de Emprego (Sine). Segundo o ministério, as mudanças vão ampliar a proteção a trabalhadores e desempregados, além de apoio a empregadores em processos de seleção.

Relatório final
Entregue no final de 2012, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que durante dois anos investigou crimes ocorridos durante a ditadura militar (1964-1985), apontou que 536 sindicatos estiveram sob intervenção no período de 1964 e 1970.

O documento também afirma que “trabalhadores e seu movimento sindical constituíram o alvo primordial do golpe de Estado de 1964, das ações antecedentes dos golpistas e da ditadura militar.”

“O confronto de diferentes levantamentos a respeito de mortes, por diferentes causas, incluindo execuções, e desaparecimentos forçados de trabalhadores urbanos no país, entre 1964 e 1988, permite concluir a ocorrência de um total de 114 casos de trabalhadores como vítimas, sendo 35 sindicalistas.”

Ainda de acordo com o relatório final, “é certo que houve mortes e desaparecimentos anteriores, no período 1946-1964.” Entretanto, os investigadores não conseguiram juntar registros precisos das vítimas.

Fonte: G1